quinta-feira, 20 de julho de 2017

Amizades dos 7 reinos e além!

Hoje é Dia do Amigo! Então está na hora de soltar aquele post nada tradicional sobre o tema por aqui. E já que não pensamos em outra coisa que não seja a 7ª temporada de Game of Thrones, que tal conferir se amizades conseguem florescer em um mundo tão cheio de conflitos.

Ned e Robert

Criados juntos, tinham o mesmos ideais, foram para a guerra juntos e até conquistaram o reino. Amizade que durou por toda sua curta vida, sem no entanto, deixar de colocar o melhor amigo em uma encrenca ou outra.

Robb e Theon

Também criados como irmãos, foram para a guerra juntos. Mas já que Theon não era exatamente um convidado em Winterfell - era um prisioneiro muito bem tratado -, não demorou muito para o Greyjoy decidir que queria mais e trair o amigo. Decisão da qual temos certeza de que ele se arrepende amargamente.

Jon e Samwell

O filho bastardo e o filho renegado, ambos nasceram em casas nobres e apenas isso já é motivo de desdém para os outros irmãos menos privilegiados da patrulha. Os novatos acabam virando amigos não apenas pelas circunstâncias, mas por serem opostos. As qualidades de um completam o outro. O que o John tem em habilidade de luta, Sam tem em conhecimento. E o que Tarly tem em covardia, Snow tem em impulso. São uma boa combinação para manter a manter a muralha de pé. Não é atoa que o Lord Comandante Snow sofre um motim logo depois que seu BFF parte para a cidadela.

Daenerys e Missandei

Nos livros Missandei é apenas uma menina e Danny divide seus "momentos livres" entre várias damas de companhia, a maioria dotraki, mas na série a intérprete ocupa o lugar de todas elas. A mãe dos dragões e a ex-escrava batem papo, trocam figurinhas, combinam roupas, conversam sobre rapazes e até trançam o cabelo uma da outra. #BFFsForever!
Quem aí já teve uma Mãe de Dragões, Rainha de Mereen, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Quebradora de Correntes, Senhora dos Sete Reinos e Khaleesi dos Dothraki trançando seu cabelo?

Arya e Gendry (e Torta Quente)

Rumores sobre o retorno do ator Joe Dempsie aos sets deixaram os fãs de  Game of Thrones animados: será que finalmente Arya e Gendry vão se reencontrar. Outra amizade construída pelas circunstâncias, ambos precisara fugir de porto real após a morte de Ned Stark e o fizeram seguindo a Patrulha da Noite. Mais esperto que a média o bastardo Baratheon não apenas percebeu que Arry na verdade era uma menina disfarçada, como logo entendeu o "jeito moleque" da garota. Junto com Torta Quente, outro viajante enfrentaram os maiores perigos nas estradas de Westeros.

Bran, Meera e Jojen

Não temos certeza se é amizade ou cilada! Jojen e Meera Reed, foram jurar fidelidade à casa Stark quando Bran era "o Stark em Winterfel" (na série a dupla aparece mais tarde). Mas o jovem Reed de visão verde tinha uma missão prórpia, levar o lord que não pode antar até o corvo de três olhos. Fiel ao irmão Meera foi junto na viagem mais cheia de perrengues dos sete reinos. Muita caminhada, fome e frio até o destino e a coisa não melhora muito quando alcançam seu destino. Nos livros o trio (e Hodor) continua na caverna em relativa segurança. Na série Jojem e Hodor foram mortos e Meera precisou carregar Bran sozinha no pior inverno em milênios. Será que a amizade resiste?

Bron e suas amizades mercenárias

Não sabemos se ele estava apenas entediado ou visando ouro Lannister quando Bron se oferece para ser o campeão de Tyrion no julgamento por combate no Ninho da Águia. Mesmo assim o mercenário e o anão curtem bons momentos juntos (inclua o escudeiro Podric aqui). Até aparecer outro julgamento que Bron não pode vencer. Nos livros o Cavaleiro do Água Negra, sai de cena para casar, na série ele cultiva amizade com outro Lannister e vai protagonizar as piores aventuras em Dorne ao lado de Jaime, depois continua seguindo o regicida em suas missões. Ao menos de Pod ele parece gostar sem grandes interesses.

Varys e Tyrion

É difícil acreditar que o Aranha cultive amigos e muito menos que o anão confie nele. Mas bem que a dupla forma uma pareceria e tanto quando precisam governar Westeros por trás das loucuras de Joffrey e Cersey. Apenas na série a parceria se repete com Varys e Tyrion ajudando a manter o reinado de Daenerys.

Varys e Illyrio Mopatis

A amizade mais misteriosa de todo o universo das Crônicas de Gelo e Fogo. Mal vêmos a dupla juntos (na série Illyrio só aparece na primeira temporada), mas já aprendemos que seus esquemas e as idéias.

Davos e Stannis

O contrabandista ganhou a confiança de Stannis quando conseguiu esgueirar através do Cerco de Ponta Tempestade e levar cebola e peixe salgado para os habitantes do castelo. A comida permitiu que os moradores sobrevivessem ao cerco e por isso Davos foi sagrado Cavaleiro das Cebolas, não antes de ter as pontas dos dedos cortados por Stannis como punição por ser contrabandista. Essa amizade cheia de dever e honra continuou com Davos como principal conselheiro de Stannis, e sua Mão quando este se decalara rei. Nos livros a parceria continua, na série dura até Stannis ser morto em batalha.

Jaime e Brienne

Amizade colorida versão Westeros! Prisioneiro e guarda conhecem melhor um ao outro na estrada. Daí nasce admiração e se depender torcida dos leitores/expectadores algo mais. Péssima notícia para Tormund.
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Achou mais alguma amizade que consegue florescer em meio a guerras, intrigas palacianas, zumbis de gelo e dragões? Que tal chamar aquele seu amigo que também é fã e fazer uma maratona da amizade de Game of Thrones esse fim de semana? Só tome cuidado se resolverem se espelhar nestes parceiros da telinha.

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terça-feira, 18 de julho de 2017

Transformers: O Último Cavaleiro

Eu não assisti o quarto filme da franquia Transformers, e admito que lembro pouca coisa dos três primeiros. Mas nada disso importa, pois mesmo que eu tivesse feito uma maratona pré Transformers: O Último Cavaleiro, eu não entenderia tudo que está passando na tela. E você também não! Isso porque o filme não é complexo, cheio de mitologias e referências, ele é apenas confuso mesmo. 

Humanos e Transformers estão em guerra, e os robôs gigantes vivem escondidos. Cade Yeager (Mark Wahlberg) é um dos poucos humanos que defendem os personagens título. Em um de seus "resgates", ele conhece Izabella (Isabela Moner), uma garota que ama os Transformers e até entende sua "biologia". Mas não demora muito para ele abandonar os velhos e novos amigos ao ser jogado em uma aventura em busca de um tesouro perdido ao lado de Sir Edmund Burton (Anthony Hopkins, que devia estar com muito tempo livre) e Vivien Wembley (Megan Fox genérica Laura Haddock). Enquanto isso, Optimus Prime viaja pelo universo e Megatron prepara um novo retorno.

Dinossauros, cavaleiros da távola redonda, segunda Guerra Mundial, espaço, presente, passado futuro... a nova empreitada de Michael Bay parece determinada a inflar a franquia de conceitos que não cabem em apenas um filme. Especialmente um que valoriza muito a mais a ação que a trama. Não é incomum sair da sala com a sensação de a história foi criada em torno das cenas de ação que eles queriam fazer, sempre maiores e mais grandiosas.

Mas aí você pode estar pensando: mas Fabi essa é mesmo uma franquia focada na ação! - Verdade e não há nada de errado nisso, mas nesse caso ao menos estas cenas tem que fazer sentido. As sequencias tem cortes rápidos demais, excesso de personagens e explosões (claro!). O resultado é você se descobrir na dúvida de onde estão vários personagens, enquanto assiste o Bumblebee desferir alguns golpes, e esperando a luta acabar para realmente entender o que aconteceu. As cenas inteligíveis não fazem jus ao valor da produção, nem ao esforço de rodá-la inteira em IMAX 3D.

De volta a história é difícil não perceber que a trama praticamente não repete locações. Os personagens saltam de um lugar a outro como se o teletransporte também existisse naquele universo. Também é difícil não brincar de procurar referências. Stranger Things, Robocop, Rei Arthur, O Código da Vinci, Esquadrão Suicida, Game of Thrones e Gravidade devem ter sido algumas das últimas coisas que a sala de roteiristas da produção assistiu e achou que os expectadores gostariam de assistir, mesmo que as ideias não encaixem.

Esse quebra cabeças mal encaixado que é o roteiro ainda arranja espaço para relembrar momentos dos filmes anteriores e trazer de volta personagens conhecidos. O Tenente-coronel William Lennox (Josh Duhamel), está nas forças do governo contra os transformers, enquanto Agente Simmons (John Turturro), faz uma aparição sem grande importância. Já, Stanley Tucci retorna em outro personagem, sem que haja explicação alguma da semelhança física. 

O protagonista de Mark Wahlberg, tenta inutilmente dar liga nessa trama desencontrada, ao menos o ator parece abraçar a loucura e se divertir com isso. Essa também deve ser a explicação para a presença de Anthony Hopkins, ele estava atoa e queria um passatempo. Ao seu personagem é dono do único robô realmente novo e diferente: um mordomo engomadinho, dono das únicas rizadas genuinas e que lembra o C3PO . - Ops! Faltou colocar Star Wars na lista de referências, ou seria Metrópolis?


Transformers: O Último Cavaleiro prometeu muitas novidades, mais aventuras e além de mostrar como os robôs gigantes estão ligados à história da humanidade. Infelizmente, só entregou novas versões de action-figures e um amontoado de explosões em cortes tão rápidos que não dá para saber o que explodiu. Michael Bay afirmou que este é seu último filme na franquia. Mas ele já disse isso antes e a sequencia já está confirmada, assim como o spin-off do Bumblebee. O jeito é torcer para que alguém arrume a casa nos próximos filmes. Não precisamos de personagens profundos, com grandes arcos dramáticos ou uma trama cheia de engajamento. Basta a história fazer sentido e as cenas de ação funcionarem que já me dou por satisfeita.


Transformers: O Último Cavaleiro (Transformers: The Last Knight)
2017 - EUA - 159min
Ação, Ficção científica


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quinta-feira, 13 de julho de 2017

American Gods - 1ª temporada

A expectativa para a versão para as telas de Deuses Americanos, livro de Neil Gaiman não era pouca. Aliás grandes esperanças por versões das obras do autor moderno são uma constante, mas suas obras cheias de metáforas, reinterpretações e humor ácido são difíceis de adaptar especialmente em filmes. Por isso, os fãs ficaram entusiasmados quando American Gods (título original do livro) começou a ser adaptada em forma de série, com mais espaço para desenvolver a rica mitologia daquele universo.


Shadow Moon (Ricky Whittle) está prestes a sair da prisão, quando sua esposa Laura (Emily Browning, Sucker Punch) morre. Sem mais nada a que se apegar, ele recebe uma proposta do exocêntrico Mr. Wednesday (Ian McShane) e acaba se tornando seu motorista/garoto de recados. Não demora muito para perceber que a realidade em que seu novo chefe vive é muito maior do que a da maioria das pessoas, evolvendo uma disputa entre os velhos e os novos deuses. Todos vivendo "encarnados" entre nós, meros mortais. Por outro lado demora bastante para o protagonista questionar diretamente o que diabos está acontecendo.

Assim, o espaço para desenvolver a trama é ao mesmo tempo o ponto forte e fraco da série. É preciso sim um ritmo mais devagar para apresentar e ambientar o expectador em meio a tantas divindades. Embora muitas delas estejam por aí há milênios, os expectadores podem nunca ter ouvido sobre elas, afinal inconscientemente são os Novos Deuses a quem adoramos. A produção usa boa parte do tempo para construir este universo, mas não esclarece quase nada antes do último episódio. O resultado é a sensação de que a trama pouco avança e muitas, muitas dúvidas especialmente para quem não leu o livro, ou tem pouco conhecimento sobre as muitas divindades em que a humanidade já acreditou.

A responsabilidade de esclarecer o leitor seria do único "humano normal" naquele meio, mas ele demora muito a acreditar na realidade em que está vivendo e também não a questiona. Quando você vê algo impossível sua reação geralmente é uma destas duas: questionar incessantemente até fazer sentido, ou acreditar cegamente, como um ato de fé. O protagonista não esboça reação alguma, passa quase todo o tempo dormente aos "impossíveis" que presencia.

Enquanto Shadow não faz as perguntas que deveria como "representante do expectador", os personagens à sua volta roubam a cena. Especialmente Laura e Mad Sweeney (Pablo Schreiber o George 'Pornstache' Mendez de Orange is the New Black), que constroem uma relação curiosa. Já Ian McShane está completamente confortável na pele de um deus carismático, esquisito e cheio de segundas intenções.

Do outro lado da batalha Mr World (Crispin Glover), Technical Boy (Bruce Langley) e Media (Gillian Anderson), são a cara dos novos deuses. Atenção à versatilidade de Anderson a cada momento personificando com perfeição um ícone midiático. Entre divindades, criaturas mitológicas e um humano vez ou outra, o elenco traz participações especiais afinadas de rostos conhecidos Cloris Leachman, Omid Abtahi, Tracie Thoms, Corbin Bernsen, Jeremy Davies, Fionnula Flanagan. Entre os convidados os destaques ficam com Orlando Jones (Mr. Nancy, e seus discursos hipnotizantes) e Yetide Badaki (Bilquis, igualmente hipinotizante sem falar quase nada). Canastrão mesmo só o Shadow Moon.

Outro destaque é o visual que não tem medo de ser caricato e visceral quando preciso - leia-se muitos baldes de sangue! A incorporação e adaptação de ícones e símbolos para os temos atuais e os "seres" que o carregam/personificam, também são um acerto. Paralelas à trama principal, pequenas histórias de os antigos deuses chegaram ao novo continente, e sua relação com os mortais são as que mais agradam. São elas que vão sutilmente incutir no expectador a ideia chave da narrativa: Deuses são reais se acredita neles!

Então chegamos ao oitavo e último episódio, meio confusos, mas empolgados com o visual deslumbrante, as boas atuações menos do Shadow e os diálogos inteligentes. E finalmente a série põe todas as cartas na mesa, e diz a que veio de forma grandiosa antes de terminar repentinamente. A sensação de ué, agora que tava ficando bom acaba? é frustrante, mas eficiente em deixar o expectador na vontade por uma segunda temporada. Desta vez mais ciente do universo em que estamos embarcando.

American Gods tem uma temporada bem estruturada e concisa, apesar de um ou outro problema de ritmo. O desenrolar inicial mais lento deve compensar, servindo de base sólida, se a série mantiver o tom mais urgente de seu último episódio nas temporadas que estão por vir.

O segundo ano da série já foi confirmado. No Brasil a produção está disponível na Amazon Prime.
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Assim como os expectadores o Peter Parker de Tom Holland já tinha ciência de que "com grandes poderes, vem grandes responsabilidades" - ele fala basicamente isso, mas com outras palavras em seu primeiro encontro com Tony Stark ainda em Capitão América: Guerra Civil. O que falta para o adolescente é realmente compreender o sentido de responsabilidade, o que convenhamos, é tarefa mais que complicada quando se tem apenas quinze anos.

A história de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, no entanto começa oito anos antes, logo depois da batalha dos Vingadores em Nova York (então esse filme se passa em 2020?), quando Adrian Toomes (Michael Keaton, excelente) encontra a motivação e a oportunidade que o farão se tornar o vilão Abutre. Anos mais tarde, um Peter recém saído do confronto no aeroporto de Berlim em Guerra Civil, está pronto para mais uma missão e começando a ficar entediado com os limites impostos por seu "tutor de heroísmo". Tony Stark (Robert Downey Jr., com o carisma de costume) insiste que o Homem-Aranha continue como o amigão da vizinhança, cuidando de problemas pequenos. Some-se aí não apenas os dilemas normais de um adolescente, mas também os de alguém tentando entender seus novos poderes.

Este novo filme do teioso, não reconta (ainda bem!), a história de como Parker se tornou Homem-Aranha, mas não deixa de ser um filme de origem deste herói em formação. Peter ainda não conhece completamente seus limites, ainda não está pronto para lidar com as consequências de seus "atos heroicos" e quer desesperadamente provar seu valor. É claro, que muitos erros e equívocos estão em seu caminho.

É apenas nesse "controle de danos", na supervisão e nas lições que o Homem de Ferro se faz presente, contrariando aqueles que apostavam que o milionário roubaria o filme para si. O protagonista é o Homem-Aranha, é ele quem conduz a história, Stark ou mesmo seu babá assistente Happy Hogan (John Favreau, ganhando um pouco mais de espaço) são apenas mais duas pessoas na vida do adolescente.

E por falar nessa vida, além de ficar soltando teia por aí, Peter ainda precisa respeitar sua tia May (Marisa Tomei) e frequentar a escola. É nessa vida cotidiana que está a alma do longa. Cheio de inspirações assumidas em filmes do John Hughes, a trama dedica tempo à seu dia-a-dia de adolescente, humanizando ainda mais o personagem, já todos já passamos por situações parecidas na escola. Tudo isso com diálogos rápidos inteligentes e com muito, muito bom humor.


Escolha que não funcionaria se seus companheiros de ensino médio não fossem selecionados a dedo, e sem medo de abandonar o cânone dos quadrinhos para criar um corpo estudantil mais realista. O elenco de jovens talentos, está entrosado e afinado com seus personagens, afinal estão realmente no final da adolescência, essa é sua realidade. Fãs dedicados podem se incomodar com a nova roupagem dada à Flash Thompson (Tony Revolory). Mas ninguém deve reclamar da excelente química de Holland com seu melhor amigo nerd Ned (Jacob Batalon). Também é uma boa prestar atenção às tiradas pontuais da independente Michelle (Zendaya), que aparentemente é um modelo feminino forte em construção.

Keaton é outro ponto alto do longa, ao entregar um vilão que foge da megalomania habitual dos malfeitores dos quadrinhos. Sim ele tem asas, mas suas motivações são bastante realistas, levando muito expectador à se questionar se agiria da mesma maneira. Nada de dominar o mundo, matar todos os mocinhos, atuações expansivas e risadas maléficas - um sussurro ou uma conversa calma podem ser muito mais assustadores - nem mesmo de Abutre ele é chamado.

Curiosamente, as cenas de ação são o ponto mais fraco do filme. Não que sejam ruins, elas apenas cumprem sua função. Não há nenhuma cena memorável como a luta com Dr. Octopus no trem do segundo filme de Tobey Maguire. O mesmo vale para a trilha sonora genérica que só se destaca quando traz de volta o tema da série de TV repaginado junto com o logo da Marvel aparece no início do filme.

Já a versão de Nova York é a mais criativa já vista nos filmes do cabeça de teia. Praticamente confinado no Queens, nada de balançar em arranha céus. O amigão da vizinhança mostra uma visão muito peculiar do bairro onde mora, mais uma vez humanizando o personagem. Não que Holland precise de ajuda para isso. Cheio de carisma, e tão empolgado com o papel quando Peter com seus poderes, ele é o Homem-Aranha. Uma versão leve, realmente jovem, divertida  e completamente diferente de tudo que vimos no cinema sobre o personagem até agora.

Bem inserido no universo cinematográfico da Marvel - repara, os pontos de partida tanto do vilão quando do protagonista são grandes eventos dos Vingadores - mas com uma voz própria. Homem-Aranha: De Volta ao Lar acerta em deixar a megalomania dos filmes de super-heróis de lado, para contar a história de Peter. Um adolescente comum, inteligente, bem humorado, cheio de boas intenções, e que como todos, comete seus deslizes, mas que nesse caminho está se tornando o  Homem-Aranha que precisávamos.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming)
2017 - EUA - 114min
Ação, Aventura


P.S.: Há uma cena durante os créditos e outra no fim, nada de sair correndo da sala!
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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Doctor Who - 10ª temporada

Os whovians já estão de sobre aviso, está na hora de começar a desapegar do 12º Doctor. O que é uma pena, já que Peter Capaldi parece finalmente der descoberto o "seu doutor" nesta temporada de despedida.

Após um primeiro ano sem grande apelo e um segundo onde tentava emular um pouco da "personalidade jovem" de seus antecessores, ambos sustentados mais pela presença de Clara (Jenna Coleman), que do protagonista a série se reinventou. Tramas mais simples, que inclusive reapresentavam os conceitos básicos da série para novos expectadores e o mais importante, novos companions que trabalhassem melhor com este Doctor ao invés de se sobrepor a ele. Afinal, apesar de ótima, Clara foi criada para contracenar com a versão de Matt Smith.

Bill Potts (Pearl Mackie), tem uma visão menos "mágica" sobre o mundo por assim dizer, mesmo porque ela ainda está descobrindo as maravilhas deste universo. Mais curiosa e questionadora, ela não apenas é a pessoal que representa o expectador, para quem as coisas são explicadas. Mas, também questiona, enfrenta e contraria o protagonista em vários momentos, o que funciona muito bem para a versão mais velha, ranzinza e cheio de "certezas" de Capaldi.

Com Bill reapresentando conceitos base e "criando conflitos", os arcos puderam ficar menos complexos. As temporadas mais recentes tinham histórias tão rocambolescas e com tantas conexões e auto-referências tornava difícil a compreensão tanto para os "não-iniciados", quanto para aqueles que eventualmente perdessem um ou outro episódio. Vale lembrar: Doctor Who. nasceu como um programa educativo para toda a família. Atualmente adultos tinham dificuldades de acompanhar o vai-e-vem temporal.

Mas não se engane, ainda há um arco maior durante toda a temporada a ser resolvido no "season finale", mas este é incluído aos poucos ao longo dos episódios como um mistério a ser desvendado "mais tarde". Grande parte da função de Nardole (Matt Lucas, Tweedledee e Tweedledum em Alice no País das Maravilhas) é nos lembrar deste perigo/trama eminente. O alienígena é o primeiro companheiro alienígena regular desta nova geração da série, e tem potencial para retornar em temporadas futuras.

Trazendo histórias mais simples, com liberdade para criar aventuras com tons distintos e coadjuvantes que somam ao invés de ofuscar a décima temporada possibilitou à Capaldi finalmente encontrar o tom e a voz de seu Doctor. O que é uma pena, já que este é o último ano do ator na série. O mesmo vale para sua companheira Bill. A sensação que fica, é de que este era o momento, de explorar novas jornadas e finalmente se divertir de verdade com o 12º Doutor.

Entretanto, tudo vai mudar novamente, e numa escala ainda maior - o showrunner Steven Moffat que ajudou a popularizar a nova versão da série também está se despedindo. Doctor Who continua a exercitar o desapego e a expectativa pelo desconhecido em seus fãs.

Para quem já está está com saudades, Capaldi ainda vai protagonizar o especial de natal ao lado de David Bradley (Argus Filch de Harry Potter e Lorde Walder Frey em Game of Thrones). O ator dará vida ao 1º Doctor vivido originalmente por William Hartnell. Papel que já interpretou no especial para a TV An Adventure in Space and Time que mostrava a criação da série.


Doctor Who., é uma produção da BBC. No Brasil é exibida, com muitas reprises em diferentes horários no SyFy.

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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Baywatch

Um grupo de salva-vidas tão dedicado à proteger sua praia que até soluciona crimes. Confesso a única referência que tenho de S.O.S. Malibu são as corridas em câmera lenta em trajes de banho vermelho. Convenhamos, essas sequencias são a primeira imagem que vem a mente da maioria das pessoas em relação ao programa, bem como o potencial para o teor cômico que estas cenas "sexies" tem. Os trailers de Baywatch adaptação para o cinema da série TV, prometiam abraçar o humor, e fazer piada do clássico programa da praia. Infelizmente a produção não entrega o que promete.

Um grupo de salva vidas resolve crimes que a polícia sequer enxerga. Além disso todos os membros do time tem um senso de justiça altruísta, que os faz arriscar suas vidas e até infringir leis sem hesitar para pegar os malfeitores que ameaçam sua praia. Todos, menos o novato Matt Brody (Zac Efron) campeão olímpico com problemas de comportamento que entra para a equipe ao lado da aplicada Summer Quinn (Alexandra Daddario) e o nerd Ronnie (Jon Bass). O trio precisa acompanhar o grupo de veteranos formado por C.J. (Kelly Rohrbach), Stephanie (Ilfenesh Hadera) e o dedicado lider Mitch Buchannon (Dwayne Johnson) e aprender que proteger a praia vai além de resgatar pessoas se afogando.


Entre piadas com órgão genitais e referências à cultura pop, o longa acerta apenas quando faz piada de si mesmo. Infelizmente, estes momentos são a exceção na trama que apesar de humor assumido acaba se levando a sério demais, em meio a uma trama rocambolesca difícil de acreditar.

Ao menos o elenco parece estar se divertindo. Mesmo os membros "secundários" da equipe tem um bom tempo de tela. E a química entre os protagonistas de Johnson e Efron funciona. A dupla que já provou que tem talento para a comédia em outras produções, mas seu potencial é desperdiçado por piadas ruins e previsíveis. Já Priyanka Chopra, que dá vida à vilã escorrega na caricatura e no dramalhão, parece saída de uma novela mexicana e destoa do resto da produção. Embora, em um país que consome as produções dos "hermanos" há décadas, talvez uma piada involuntária surja da falha.

Baywatch devia ser uma comédia nostálgica, mas tem um roteiro confuso que leva à sério demais. Sem o bom humor, a suspensão de descrença do expectador tem que ser muito grande para acreditar no plano da vilã, a persistência e habilidades dos mocinhos e da cegueira da polícia. Faltou abraçar a zoeira para realmente divertir. 
Falando em novela mexicana, quem aí reconheceu a Belinda?

Ainda sim, o elenco é carismático e tem grandes nomes, o roteiro tem piadas fáceis, referências a cultura pop e participações do elenco da série original. Além de ter muita gente de biquíni, o que pode garantir a sobrevida do longa. Ou no mínimo uma linha de roupas de banho inspirada na produção - repara nos modelos, são vários!

Baywatch
2017 - EUA - 106min
Comédia/ação
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sábado, 1 de julho de 2017

A Múmia

Demorei para ver essa nova versão de A Múmia, mas uma coisa já chamava minha atenção antes mesmo de eu chegar aos cinema: nunca ouvi falarem tanto da versão de 1999 com Brendan Fraser, quanto na semana de estreia do filme estrelado por Tom Cruise. Não é um bom sinal para esta releitura.

Nick (Cruise) é um saqueador/contrabandista de antiguidades. Em busca de uma descoberta no oriente médio, entra em confronto com terroristas e acidentalmente descobre a tumba de Ahmanet (Sofia Boutella, Kingsman, Star Trek: Sem Fronteiras). Uma construção egípcia no Iraque! Aqui entra a figura de Jenny (Anabelle Wallis, de Annabelle), a arqueóloga cujo principal trabalho é explicar tudo para Nick e consequentemente para o expectador. Eles levam a descoberta para a Inglaterra onde a "maldição da múmia" finalmente e concretizada. Acredite ou não, a falta de "Egito" neste longa (a região só aparece em Flashbacks), não é o problema de A Múmia.

Responsável dar início ao Dark Universe, franquia que vai reunir os monstros clássicos da Universal em um mesmo universo. A produção tem grandes falhas de roteiro, além de não se decidir entre o terror e a ação. O personagem título é um clássico do horror, mas sua grande estrela e real protagonista é um ícone dos filmes de ação. Na disputa pela atenção é Tom Cruise que ganha, enquanto os demais personagens são negligenciados pela narrativa.

O "misterioso" personagem de Russel Crowe, deveria ser o elo entre os monstros, mas é mal apresentado e não mostra a que veio. Parece incluso na trama apenas para cumprir o protocolo. Outros coadjuvantes são tratados com tanta desimportância pelo roteiro, que mesmo os próprios personagens principais não se importam com o seu destino. Como é o caso do amigo e parceiro de Nick, Chris (Jake Johnson), infelizmente o único ator que realmente parece inserido no contexto do filme. 

Entretanto, o ponto mais fraco do elenco é Jenny, mal escalada Wallis não convence como arqueóloga, sempre impecavelmente maquiada e penteada em meio a uma escavação no deserto, não tem a aparência nem a postura de um pesquisador de campo. Também não há química em seu par romântico com Cruise. Este também não combina com o personagem para que foi escalado, mas o carisma do ator e seu esforço em fazer as próprias cenas de ação compensam a falha.

Boutella é a única que está bem no papel, embora o roteiro não lhe dê muito com o que trabalhar. Desprovida de complexidade, suas motivações não fazem sentido. E mesmo que o filme abraçasse a caricatura e criasse uma clássica vilã unilateral que quer "conquistar o mundo" - tivemos dezenas de vilões assim, por que não uma mulher? - esse "bad girl power" só vai até a página dois, já que a Ahmanet afirma que quer conquistar o mundo para seu futuro amante Seth, o Deus da Morte. Tirando toda a força da "grande novidade" de ter uma mulher como a Múmia pela primeira vez.

Com personagens tão mal construídos e um roteiro fraco é difícil criar empatia com os personagens ou mesmo receio da ameaça de final previsível. Algumas cenas de ação são realmente bem feitas, mas não são suficientes para carregar o longa.

Mal ajambrado e forçado, a nova versão de A Múmia não consegue gerar empatia. Se não acreditamos no universo, na ameaça, no romance ou nos mocinhos, logo não nos importamos com os rumos do filme. O promissor Dark Universe começou com o pé esquerdo, e o estúdio vai precisar se esforçar para conquistar o público e não deixar a "maldição da múmia" contaminar os outros longas da franquia.

A Múmia (The Mummy)
2017 - EUA - 111min
Terror/Ação
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