quarta-feira, 31 de maio de 2017

Mulher-Maravilha

É uma pena não podermos dizer que Mulher-Maravilha é a primeira incursão solo de uma super-heroína nas telonas (os esquecíveis Elektra e Mulher-Gato vieram primeiro), pois isso seria começar com o pé direito. Ou no estilo da amazona "chutando bundas à porta". Por outro lado, como já mencionei as incursões anteriores são esquecíveis - desculpe por te lembrar da existência delas - e talvez o filme de origem da amazona entre para a história dos heróis no cinema por outro feito: acertar onde seus antecessores do novo universo da DC no cinema erraram. Ser um filme eficiente ao apresentar e representar sua protagonista e ainda muito bem executado.

Diana (Gal Gadot) cresceu na isolada ilha de Themyscira sob influência das histórias dos feitos heroicos das amazonas que vieram antes dela, como sua super-protetora mãe Hipólita (Connie Nielsen) e sua tia tia Antíope (Robin Wright, excelente). Isoladas no paraíso, é a queda do avião de Steve Trevor (Chris Pine) que alerta: o mundo é bem diferente da bela ilha em que vivem. A Primeira Guerra Mundial está assolando a humanidade, e a protagonista sente que tem um dever à cumprir para trazer a paz de volta.

Na companhia de Trevor, Diana sai para conhecer o mundo, literalmente. Onde há não apenas a loucura de uma guerra em si, mas as regras e imposições de uma sociedade completamente diferente que vão chocar a protagonista. O confronto entre mundos também é base de boas piadas, de certa reflexão e do romance entre a dupla, que aprende através das diferenças, o valor um do outro. Logo, a escolha do contexto histórico não poderia ser mais acertada.

Abandonar o paraíso e ir para a guerra = muito heroísmo!!!

As primeiras décadas do século XX, abrigaram o início dos movimentos de direitos das mulheres. Apenas o início, Diana vai estranhar, não poder falar, as roupas sufocantes, não poder ir à guerra, ser menosprezada por ser mulher... e por aí vai. Não que isso a abale, a moça rebate cada impedimento, superando-os. Ao ponto dos homens à sua volta, moldados neste mundo machista, aceitarem ser salvos por ela, e até peçam sua ajuda.

Sim o filme é feminista, mas não é panfletário, nem diminui os homens para isso, como alguns podem tentar alegar. Embora Diana não precise de ajuda, Steve Trevor tem espaço e sua própria jornada à cumprir. Aliás é Pine o principal responsável pela química da dupla em cena, seja em batalhas ou no seu curto romance (sim tem romance, é importante para a trama, mas não rouba tempo desnecessário da história). Ele acerta o tom das piadas e dos momentos dramáticos, compensando os momentos em que a pouca experiência da protagonista poderia ser um empecilho.


Gadot acerta em dar à protagonista um olhar ingênuo, cheio de esperança e persistente mesmo com os horrores da guerra à sua volta. É claro, que a personagem vai evoluir. Entender que o mundo  não é "preto-no-branco", r que às vezes às mudanças precisam de mais que apenas força de vontade. Este é outro ponto de discussão interessante entre os personagens, a visão simples de bem e mal da mocinha ainda ingênua, em contraponto com a percepção de ambiguidade dos soldados cansados da guerra.

Não é segredo que Ares é o vilão, mas não é possível falar muito dele sem estragar a experiência. Basta dizer que suas motivações e modus operantis são bastantes distintos e interessantes. E embora não vá se tornar um vilão icônico do cinema, ele cumpre seu papel na narrativa.

O escorregão fica por conta de algumas cenas em precárias CGI, que tiram o expectador da narrativa, ao parecerem faltas. E no excesso da câmera lenta em cenas de ação. As lutas são bem coreografadas e o efeito é bem produzido, mas sua presença em quase todas as cenas de luta, diminuem o impacto naquelas cenas em que a velocidade reduzida aprimorariam a experiencia.

Falando em aprimoramento da experiência, o 3D é bom, mas não indispensável. E a excelente música tema da protagonista apresentada em Batman VS Superman está de volta. E esta sim, faz toda a diferença quando presente!

É verdade, Gal Gadot ainda tem um longo caminho a seguir para se tornar uma intérprete impecável para a heroína. Mas bem dirigida e com o apoio do elenco correto, ela serve o papel de forma eficiente e até com certo carisma. Quem também serve bem à seus propósitos o roteiro, simples, sem excessos, e com o objetivo de apresentar bem Diana, refletindo inclusive sua personalidade, mais esperançosa e otimista. O filme é menos sombrio os de seus colegas da Liga, mesmo na cinzenta Londres em meio à guerra. E ainda sobram cores para criar um contraste com a vibrante e quente Themyscira.

 A Mulher-Maravilha faz sua estreia no cinema um passo à frente de seus colegas cheios de filmes do currículo, Batman e Superman. Ela estrela não apenas um filme eficiente e, ao menos em relação ao roteiro, livre de polêmicas. Mas também uma produção, divertida, auto-suficiente -  não há grandes ganchos com o universo DC, e nem precisa - e com boas mensagens. Um ótimo filme, que assim como sua protagonista faz em um mundo em guerra, deve trazer esperança para os fãs de quadrinhos na tela grande.

Mulher-Maravilha (Wonder Woman)
2017 - EUA - 141min
Ação, Aventura, Fantasia
Leia Mais ››

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Z - A Cidade Perdida

Se até nos dias de hoje acreditamos que existe muito mais escondido na Floresta Amazônica do que podemos imaginar, imagine no início do século XX. Antes das imagens capturadas por satélite, quando a maior parte do interior do continente era inexplorada e "cidades perdidas" como Machu Picchu começavam a ser "descobertas". Não é atoa que o explorador britânico Percy Fawcett (Charlie Hunnam) estava certo de poderia encontrar vestígios, ou mesmo uma civilização avançada perdida por aqui.

Z - A Cidade Perdida adapta para as telas a história deste explorador que se empenhou em uma série de expedições à Amazônia no início do século XX. No filme, Fawcett vem a primeira vez para a Amazônia para ajudar da disputa territorial entre Brasil e Bolívia que estava encarecendo o preço da borracha para os britânicos. O objetivo inicial era mapeamento, mas nessa primeira missão, ele encontra vestígios de civilizações avançadas no coração da floresta e se convenceu que haveria uma cidade evoluída e cheia de riquezas a ser encontrada, motivando as expedições posteriores.

Além dos perigos inerentes à se arriscar selva à dentro, como doenças, predadores e "índios hostis", o protagonista ainda encararia outras dificuldades. Desde à descrença de seus compatriotas, passando por intrigas nas equipes de expedição e até uma guerra mundial estão no caminho entre Fawcett e seu objetivo. Isto antes de encarar o desfecho, que não é difícil imaginar, mesmo que você não conheça a história do explorador. Afinal, não aprendemos na escola sobre nenhuma cidade avançada com pirâmides feitas de ouro situada na amazônia.

Mas, tudo bem o final conhecido, já que é a jornada que interessa. E esta é apresentada de forma bastante romanceada no filme: o explorador bondosos, branco e destemido enfrenta os maiores perigos para descobrir "um novo mundo" civilizado como o dele. Fawcett até discursa como bom moço defendendo os indígenas como iguais diante de seus compatriotas, e na cena seguinte trata sua esposa como inferior por ser mulher.  Uma tentativa de dar um propósito mais nobre que seus verdadeiros objetivos gritantes. Primeiro de reerguer o nome de sua família, depois de entrar para a história e mais tarde provar que não está louco e supostamente se reconectar com o filho. Objetivo que sim poderia ser mais nobre, caso esta relação fosse melhor trabalhada ao longo do filme. E se o expectador ignorar o fato de que o pai em processo de redenção deixa para traz, novamente, a mulher e dois filhos nesta jornada para se conectar com o primogênito.


Apesar do retrato duvidoso, ainda é possível se identificar com o protagonista, afinal quem nunca teve propósitos pouco altruístas, vez ou outra na vida.  Hunnam embora se esforce visivelmente, ainda não consegue sustentar o filme sozinho, mas já entrega uma atuação melhor que no recente Rei Arthur: A Lenda da Espada. São os coadjuvantes que vão chamar a atenção. Desde o explorador polar James Murray (Angus Macfadyen), até Henry Costin (Robert Pattinson) e do filho Jack Fawcett (Tom Holland). Pattinson e Holland impressionam em suas boas atuações no tempo de tela que tem.


Outra boa intenção do filme é mostrar a esposa de Fawcett, Nina (Sienna Miller), como uma mulher forte e independente - relatos afirmam que ela realmente era. Além de criar e sustentar os filhos sozinha, e apoiar o marido, ela tinha interesse nas expedições. Claro, proibida pelo marido nunca o fizera, e explorar isso no filme por muito tempo arranharia a imagem de bom moço do herói.

Com quase duas horas e meia de projeção, o filme acerta no ritmo as muitas jornadas, mas perde a mão nas pausas entre elas. Perdendo muito tempo por exemplo na passagem da primeira guerra, fazendo a projeção se estender um pouco mais que o necessário. Já o retrato das tribos amazônicas, além de curto é caricato. Os índios são apenas mais uma ameaça na paisagem e o tempo destinado à interação com eles é curto. Assim, chegamos ao fim do filme com um explorador que após décadas de incursões não mantém amizade com as tribos que se relaciona, e a única forma de comunicação com os nativos é a palavra "amigo". Mesmo com todo o discurso de índios como iguais.

Z - A Cidade Perdida pretende contar uma história real pouco conhecida e muito interessante. Seu protagonista é inspirado em um homem verdadeiro e complexo - vale fazer uma pesquisa sobre o verdadeiro Fawcett. Mas a produção perde a oportunidade de contar uma excelente biografia, ao se preocupar em romantizar a jornada e  tentar transformar seu personagem principal em um herói. Seu maior valor está no pontapé inicial para descobrir a história verdadeira e pelas atuações dos coadjuvantes.

Z - A Cidade Perdida (The Lost City of Z)
2017 - EUA - 141min
Biografia/Aventura
Leia Mais ››

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar

Muita gente acreditou que um terceiro filme confuso e um quarto esquecível seriam a ruína da franquia comandada por Jack Sparrow (Johnny Depp). Entretanto seis anos após se perder Navegando em Águas Misteriosas, os Piratas do Caribe estão de volta com fôlego renovado para enfrentar A Vingança de Salazar.

Como trazer vida nova para uma franquia que perdeu o rumo? Resgatando aquilo que deu certo. Esta nova aventura traz de volta muita coisa da trilogia original, principalmente de A Maldição do Pérola Negra. Deixando quase tudo da quarta aventura de lado – não dava para restaurar a perna do Barbosa, ou dava?

O longa traz de volta à cena volta Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) através de seu filho. Henry (Brenton Thwaites de O Doador de Memórias) dedicou a vida à procura de uma forma de libertar seu pai da maldição do Holandês Voador, e está perto de conseguir. Ele só precisa de um artefato mítico, claro, e da ajuda de Jack Sparrow. Nessa jornada ele esbarra no capitão Salazar (Javier Bardem) que promete vingança ao pirata amante de rum vivido por Depp. Também na correria pelos mares à fora estão a jovem Carina (Kaya Scodelario, Maze Runner), a moça está tenta decifrar um mapa que acredita ter sido deixado por seu pai, o sempre presente capitão Barbossa (Geoffrey Rush), boa parte dos bucaneiros secundários dos filmes anteriores. Além, claro, da marinha britânica ainda tentando prender praticamente todo mundo. Desta vez sob o comando de Scarfield (David Wenham, Punho de Ferro).

Busca à lugar e artefato que todos acreditavam ser uma lenda? Confere. Par romântico previsível e jovem? Confere. Tripulação de piratas mortos? Confere. Oficiais britânicos incompetentes? Confere. Grandes batalhas em navios? Confere. Jack e Barbosa? Confere. Rum? Confere… Sim, você entendeu direito. Este longa tem praticamente, e propositalmente, todos os elementos do primeiro filme. Mesmo algumas piadas retornam – mas não a do cachorro? – Estratégia comercial e competitiva sim, mas desta vez funcionou relativamente bem.

O roteiro é mais compreensível que do terceiro filme, embora não mais simples. Há uma quantidade enorme de personagens. E o retorno de nomes antigos, mesmo que apenas mencionados, garantem o interesse que a quarta aventura não conseguiu despertar no expectador. Some a isso muitas cenas de ação, com a qualidade e insanidade já conhecidas da franquia, e esta tem chances de sobreviver por mais alguns filmes.

A escolha de efeitos especiais práticos, são um acerto da produção. E compensam, em parte o excesso de CGI das criaturas sobrenaturais, monstros e flashbacks. A mistura de técnicas não é novidade nos filmes dos piratas, mesmo assim, não é infalível. A cena clímax, por exemplo mistura tudo isso, além de muitos personagens, fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, tornando a ação confusa em alguns momentos.

Outro ponto fraco é o casal Henry e Carina, que não repetem a química e carisma de Will e Elizabeth. Já Bardem, se diverte, e entrega um bom vilão na medida que o roteiro permite. Com tantos personagens, não há tempo para aprofundar muitos deles. Salazar é um bom vilão, mas não tão aterrorizante quanto Barbossa fora na estreia da franquia. E vale lembrar, que mais uma vez somos apresentados ao “terror dos sete mares”. Se todo filme traz um novo, os mares deste universo estão superpopulosos.

Quem tem espaço para fazer o que bem entende, claro, é Jack Sparrow. Novamente sem navio, ainda constantemente bêbado e com planos mirabolantes. Personagem e intérprete tem o curioso luxo de não precisar evoluir de um filme para o outro, sem deixar de ser o favorito do público. A surpresa fica por conta de Barbossa. Tão confortável quanto Depp no papel, mas com espaço para fazer coisas diferentes. Geoffrey Rush entrega um lado mais humano de seu pirata vaidoso, sem estragar sua essência de “vilão-bonzinho” que amamos odiar.

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar resgata muitos elementos de A Maldição do Pérola Negra, mas está longe de ser tão eficiente quanto o original. Entretanto, é melhor que os dois títulos anteriores, e tem potencial para relembrar ao público seu apreço pela franquia. Ou no mínimo é uma boa sessão pipoca, com ação, comédia e aventura. Vai fazer um navio de dinheiro, garantir mais aparições de Sparrow na tela grande, e divertir a grande maioria. Não é perfeito, mas é um retorno razoável, especialmente para um universo inspirado em um brinquedo antigo da Disney.

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales)
2017 - EUA - 129min
Aventura


P.S.: Sim, aquele pirata é o Paul McCartney. E não saia da sala antes do fim dos créditos!


Post originalmente publicado no blog Roteiro Adaptado
Leia Mais ››

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Unbreakable Kimmy Schmidt - 3ª temporada

Já que ela é "inquebrável", Kimmy Schmidt (Ellie Kemper) está de volta à Netflix. Agora mais habituada ao "mundo moderno", embora ainda não uma nativa. O desafio da vez é evoluir. Seguir em frente, melhorar de vida. Tarefa bem complicada, considerando que o passado não para de bater à porta do apertado apartamento que ela divide com Titus Andromedon (Tituss Burgess). Desta vez na forma de um divórcio! Sim, por incrível que pareça o casamento de Kimmy com seu sequestrador é oficial, e a moça ainda está ligada ao excêntrico reverendo (Jon Hamm).

Caso você tenha ficado presa em um bunker nos últimos anos, e não faça ideia do que estou falando, segue uma breve introdução. Unbreakable Kimmy Schmidt é uma série original de comédia da Netflix escrita por Tina Fey e Robert Carlock (Saturday Night Live e 30 Rock). Kimmy foi sequestrada ainda adolescente por um líder de uma seita apocalíptica e passou 15 anos presa em um abrigo subterrâneo com outras três mulheres e o "reverendo". Em sua primeira temporada ela, precisou "descobrir o futuro", já que foi presa por volta do ano 2000, e perdeu o 11 de setembro, a popularização dos celulares entre outras centenas de coisa. O segundo ano também trata do tempo perdido, Kimmy precisa terminar a escola e sobreviver neste novo mundo. Agora a protagonista, precisa crescer e decidir o que fazer de sua vida... ou quase isso, considerando que se trata de uma comédia, que usa o absurdo para fazer graça e crítica à sociedade.

Kimmy terminou a escola, e começa a pensar seriamente em sua vida profissional. Além de lidar com resquícios de seu passado, ela ainda acha que esconde sua vida de "mulher toupeira" - termo que a imprensa usa para chamar as vítimas do reverendo - de todos. Titus, que tinha conseguido um namorado e uma boa oportunidade de emprego da última vez que o vimos, tem que encarar mais um fracasso, a insegurança que ele traz e as suas possíveis causas. Lillian (Carol Kane) resolve se envolver com os assuntos da vizinhança que tanto preza. Enquanto Jacqueline (Jane Krakowski) assume que seu relacionamento, e ideiais são mais importante que se reposicionar que esposa troféu. É claro, nenhum dos quatro vai traçar caminho previsível, ou mesmo alcançar o objetivos que acreditamos. Graças as reviravoltas deste universo louco. Muitas delas, absurdas e aparentemente impossíveis, mas nenhuma sem um fundo de verdade ou uma crítica por traz.

Tudo no ritmo frenético que a série assumiu ainda em sua estreia. As circunstâncias mudam rápido, assim como a percepção dos personagens, e consequentemente a sua. O foco dos episódios muda frequentemente, o que causa um desequilíbrio narrativo, que pode confundir. Como o momento em que Kimmy consegue sua esperada vaga em uma universidade, apenas para demorar mais alguns episódios para de fato frequenta-la. Ela precisa lidar com outros assuntos antes.Talvez seja o formato de meia hora, que isola os temas em cada capítulo, talvez seja realmente falta de fluidez no roteiro. É um assunto para se discutir, especialmente entre quem faz maratona, e quem aprecia com moderação. Na maratona, achei inconstante.

Mas isso é apenas o que corresponde ao elenco fixo. Com tanta coisa acontecendo com quatro personagens base, não faltam retornos de personagens de outras temporadas como Xanthippe (Dylan Gelula) e das outras "mulheres toupeiras". Assim como participações especiais, desde a recorrentes aparições de Tina Fey, e outras surpresas, que não convém estragar contando.

As críticas à nossa sociedade, e as piadas continuam inteligentes e afiadas. Problemas sérios novamente apontados de forma divertida e sarcástica, em um ritmo Acelerado - inclua aqui a velocidade em que os personagens falam, especialmente Kimmy e Titus. E por mais que se trate da mesma formula, esta não se esgota, já que os problemas continuam aí, outros aparecem, e as referências só aumentam. Sim, tem muitas piadas relacionadas à acontecimentos do último ano.

E já que estamos falando em temática, o empoderamento feminino parece ser uma constante este ano. Com três personagens femininas, em busca de "seu lugar no mundo", há muita discussão sobre o que elas "podem ou não" fazer, e a forma com que fazem. Também há um bom espaço para discutir religião e crenças.

Para quem prefere a temática pop, ela ainda está lá aos montes. Kimmy ainda, tem os anos de 1990 como referência, embora já consiga acompanhar os acontecimentos atuais, mesmo que não entenda. Mas é Titus, o rei da referência. O astro eternamente em ascensão, tem espaço para covers. Além de ganhar mais canções, para felicidade dos fãs de Peeno Noir.

Mesmo sem o frescor da novidade Unbreakable Kimmy Schmidt, se mantém envolvente, divertida e inteligente. E agora já conta com nossa familiaridade com os personagens. Nos importamos tanto com eles, como com sua relação. Não entendemos a amizade entre Jacqueline  e Lillian, por exemplo, mas adoramos que ela exista. E que apesar da loucura, o bom grupo formado por Kimmy e companhia pareça inquebrável!

Leia a crítica da segunda temporada, ou confira nossas Informações úteis para sua maratona de Unbreakable Kimmy Schmidt.
Leia Mais ››

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Indesejadas

Admito, livros policiais não são aqueles que mais procuro. Sim, gosto do gênero, mas na hora das escolhas neste mundo que não é possível ler tudo os crimes acabam perdendo para a fantasia, aventura e ficção-cientifica. Então começo essa resenha com duas coisas que aprendi em minha mais recente leitura. A Vestígio é um selo dedicado à livos policiais - como não notei isso antes? - E escritores escandinavos gostam de literatura policial.

Em Indesejadas de Kristina Ohlsson, o desaparecimento de uma menina em um trem para Estocolmo incia uma investigação aparentemente comum de disputa de guarda. O que o leitor logo percebe, mas é claro que os investigadores não, é que o caso é muito mais complexo que isso. Trata-se de uma série de crimes (não é spoiler, tá na capa) brutais tendo início. 

Acompanhamos o dia-a-dia dos investigadores Fredrika, Peder e seu chefe de equipe Alex, a partir do momento em que a menina é dada como desaparecida. Vale lembrar que em qualquer investigação desse tipo as primeiras horas são cruciais, por isso a correria para desvendar o caso o mais rápido possível. Entretanto, diferente dos investigadores de séries televisivas que abandonam tudo durante a investigação, estes policiais precisam continuar funcionando. É quando eles voltam para casa, após um dia cheio, que o livro encontra tempo também para abordar aspectos de suas vidas e nos fazer entender suas escolhas ao longo do caso. 

Alex é um chefe cheio de experiência, e por isso com um excesso de segurança que pode prejudicar as investigações. Peder é um jovem investigador em ascensão e arrogante por isso, com sérios prolemas em seu casamento, logo um pouco distraído. Ambos fazem pouco de Fredrika por ser uma cívil. A analista criminal não fez carreira na academia de polícia. O trio compartilha a condução da história, e consequentemente o protagonismo.

Esta divisão de pontos de vista, oferece dinamismo à trama, além de oferecer diferentes pontos de vista e formas de lidar com o mesmo caso. Enquanto Peder e Alex seguem a linha padrão, e geralmente mais comum nestes casos, Fredrika insiste em revisar todos os ângulos. É claro, como conhecemos um quadro maior do caso, tendemos a torcer pela moça menosprezada pelos colegas. Ao mesmo tempo, que não podemos discordar da lógica investigativa dos veteranos. Geralmente a explicação mais simples é a correta.

O carisma dos personagens bem construídos, somado à este dinamismo entre pontos de vista, e o quebra cabeças que o leitor aceita tentar juntar são os pontos fortes do título. Que ainda complica a trama, com falsas pistas, personagens secundários suspeitos e todos os elementos comuns à uma trama policial. E, caso esteja se perguntando: sim, o trio vai aprender a trabalhar junto, e se respeitar suas diferenças até o fim do caso. Ao ponto deste livro ser o ponto de partida de uma série, cujas sequencias Silenciadas e Desaparecidas, já foram lançadas por aqui, 

O ponto fraco fica por conta do ritmo. Desde a capa, o leitor sabe que haverão múltiplos crimes contudo, passamos mais da metade do volume, seguindo apenas o caso da menina desaparecida no trem. Para na segunda metade a velocidade dos acontecimentos aumentar bruscamente. É compreensível, um início mais lento, para apesentar os personagens e o universo em que vivem. Mas, esta introdução é lenta demais e torna a leitura um tanto quanto irregular. 

Já o desfecho, apesar de muito bem conduzido não é dos mais criativos. O leitor descobre as motivações do crime muito antes dos detetives. Isso enfraquece os personagens, e a construção daquelas "pistas falsas" que mencionei anteriormente. Aliás talvez sejam estes detalhes bem posicionados, que criem uma certa expectativa de uma reviravolta que não vem. Você desconfia que entendeu o cenário, e espera que os investigadores tenham uma capacidade extra que você leitor não tem, e revelem um detalhe que você não notou. Mas, não. Você acertou, é tão ou mais esperto que a polícia!

A pequena decepção do desfecho, no entanto não estraga a jornada. Uma linguagem dinâmica, clara e bem conduzida por alguém demonstra certo conhecimento deste universo - a autora trabalhou por muito tempo em uma organização policial por muito tempo - Conduzida por personagens complexos, e bem apresentados. Resultam em uma trama intrigante, se não surpreendente, ao menos satisfatória. Ao final, tudo faz sentido e não há pontas soltas. 

A primeira edição lançada pela vestígio, não é das mais luxuosas. De fato, é uma encadernação extremamente simples, mas é leve e prática. Tamanho e peso perfeitos para quem gosta de carregar um livro como companhia para todo lugar que vai. Foi essa a edição que literalmente carreguei por aí. Já a segunda edição ganhou capa nova, e a informação de que se trata do primeiro volume de uma série. É possível encontrar ambas as edições nas lojas. 

Indesejadas (Askungar)
Kristina Ohlsson
Vestígio
Leia Mais ››

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Rei Arthur: A Lenda da Espada

Quase todo mundo acredita que conhece bem o Rei Arthur e suas lendas. Mas historiadores afirmam que há muito mais dúvidas que certezas sobre os detalhes em torno do mito britânico. Aparentemente é nessas incertezas que Guy Ritchie aposta para criar sua releitura da história do rapaz que tirou a espada da pedra.

Após uma longa guerra contra feiticeiros, seguido de um golpe que tirou seu direito ao trono Arthur (Charlie Hunnam) cresceu em um bordel sem saber de sua origem nobre. E, apesar das circunstâncias cresceu muito bem no ambiente em que se encontrava, lidando como ninguém com o dia-a-dia e as intrigas das ruas de Londonium. A reaparição repentina da espada do antigo rei, a Escalibur é claro, muda as circunstâncias. Uma vez, todos os homens são testados pelo usurpador Vortigern (Jude Law), que teme perder seu trono. Adivinhou que à certa altura o relutante Arthur terá de assumir seu lugar como lider para livrar o povo da tirania do atual rei.

Fugindo das lendas mais tradicionais, este Rei Arthur tem sua ascensão ao trono focada na ação. Assumidamente exagerado e mundano - se comparado ao mito dos cavaleiros nobres. Arthur não apenas tem que lutar contra o rei, mas dominar a espada que o desafia a enfrentar seus medos. Tudo isso, é claro, às escondidas. Correndo, clandestinamente entre becos, se aliando à renegados e membros da parte "menos nobre" da sociedade da época.

E aí o longa oscila entre sequencias de ação empolgantes - mesmo que estasnem sempre façam sentido se você parar para pensar -  e monstros de CGI pouco críveis. Entre as soluções assumidamente "moderninas" encontradas pelos personagens e textos piegas proferidos com pompa pelos mesmos. Entre fugir das lendas tradicionais, mas entregar aquele final que você já conhece, afinal o nome do filme é Rei Arthur!

Apesar de se assumir mero entretenimento, e não se levar a sério em muitos momentos. Esta oscilação entre ser divertido e ser um grande épico de ação, enfraquece a trama que já não é das mais surpreendentes e tem muitos buracos. Quem procura por algo mais que cenas de ação, eventualmente vai se pegar pensando coisa do tipo: se esse personagem tinha esse poder aí, porque não usou antes? Porque fulano se desfez de uma peça de roupa apenas, para pegar outra parecida na sequencia seguinte? Aliás essa personagem não tem nome mesmo?  - entre outros furos que saltam aos olhos.


Já os fãs do mito de Arthur podem não gostar muito das adaptações e mudanças tanto na história, quanto nos personagens. Tornando impossível apreciar os bons momentos do filme. Aqueles em que a produção não se leva muito à sério e tenta apenas divertir você.

E por falar em diversão, o elenco embora sub-aproveitado está aparentemente se divertindo com a produção. Conta pontos, mas não é suficiente para criar empatia por todos. Além de Law e Hunnam, Djimon Hounsou, Eric Bana, Aidan Gillen, Tom Wu, Craig McGinlay Astrid Bergès-Frisbey e Annabelle Wallis completam o elenco principal.

Talvez a trama de Rei Arthur: A Lenda da Espada funcionasse se se tratasse de um outro rei qualquer, inspirado pelas lendas de Arthur, como tantos que existem. Mas ao atrelar seu nome à lenda, a produção se confere uma responsabilidade que não está pronta para cumprir. Apesar de ter um elenco empolgado, verba para fazer um grande filme e bom humor para fazer uma versão moderna e desprendida do personagem. Faltou mesmo decidir que história contar, e de que formar para torna-la grande e eficiente.
Take batido e piegas? Temos sim!
Quem sabe com um pouco mais de equilíbrio e esforço sobre o roteiro este novo rei não conseguiria chegar perto de fazer jus ao mito que ajudou a criar a identidade britânica, encanta gerações e continua influenciando novas histórias até os dias de hoje. Por hora, é apenas mais uma aventura qualquer sobre um cara que foi capaz de tirar uma espada da pedra.

Rei Arthur: A Lenda da Espada (King Arthur: Legend of the Sword)
2017 - EUA, Austrália, Reino Unido - 126min
Ação, Aventura, Fantasia

P.S.: Sim, aquele é o David Beckham, em uma participação especial!
Leia Mais ››

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Rastro

Sozinho o cenário já é assustador: um hospital público carioca em condições tão precárias que está prestes a ser fechado. Se precisar ficar internado lá já deixaria qualquer um com medo, imagina se incluirmos, rangidos, aparições, trilha de suspense, criancinhas bizarras...

Em O Rastro, João Rocha (Rafael Cardoso) é um médico talentoso em ascensão com um trabalho complicado. Ele supervisiona a transferência de pacientes quando um hospital carioca é fechado. Um trabalho de guerrilha considerando a escassez de vagas no sistema público. É durante um fechamento conturbado, com direito a protestos na porta do hospital que uma criança desaparece levando João à uma busca obsessiva e perigosa.

Você leu direito. Cinema nacional tem terror, sim e bem produzido. É claro, que o filme de J. C. Feyer não reinventa a roda no gênero (e acredito que não era essa a intenção), muito menos é isento de falhas. Entretanto, se conquistar seu espaço entre o público pode ser um marco do terror no Brasil, onde atualmente o únicos trabalhos relevantes são de José Mojica Marins e seu estilo peculiar e único. Falta uma produção que fale com o grande público, e o faça tomar gosto em se assustar sem legendas.

O hospital insalubre garante o visual que lembra o terror japonês, enquanto a trama segue a formula de suspense e terro comum ao estilo hollywoodiano do gênero. Inclua aqui, corredores escuros, cortes rápidos e trilha que sobe repentinamente.

A trilha sonora, aliás é o ponto fraco do filme. O conceito é interessante, usar apenas som diegéticos para criar o ambiente e todo o suspense. assim o que te deixa nervoso, é o zumbido do ventilador, o gotejar do bebedoru antigo e por aí vai. Mas a boa ideia caí por terra quando a produção volta para o clichê de aumentar absurdamente o som, no "momento de susto", e exagera nesse efeito. Causando o efeito oposto em muitos momentos, o expectador não apenas espera pelo susto, como acha graça.

De volta aos pontos positivos. O bom elenco empenhado conta ainda com Leandra Leal, Claudia Abreu, Jonas Bloch, Felipe Camargo, Alice Wegmann e Domingos Montagner. Entre figuras de autoridades, colegas de trabalho de João, ex-funcionários e médicos do hospital fechado e sua esposa, todos tem sua função incluir mais uma peça neste quebra-cabeça na obsessão de João. Ganhando ou perdendo importância conforme a trama avança

Enquanto o protagonista procura desesperadamente pela menina desaparecida. Nós tentamos decidir, se a ameaça é sobrenatural, real ou apenas uma alucinação de Jõao. Manter o expectador nessa busca, já é um mérito do filme diante de uma audiência mais que acostumada com esta fórmula hollywoodiana de terror.

O desfecho não é criativo e curioso, deve satisfazer o grande público. Embora esta blogueira que vos escreve tenha sentido uma certa indefinição quanto a real natureza da ameça. Ou qual das situações de terror o filme escolhe como predominante. Mas que isso não posso dizer sem estragar a brincadeira.

Ao final das contas O Rastro não é surpreendente, mas é competente. Entrega o que promete, e prova que o cinema nacional sabe sim produzir outros gêneros. Só precisa de mais oportunidades e prática, para aí sim surpreender o público.

O Rastro
2017 - Brasil - 110min
Suspense/Terroe
Leia Mais ››
 
Copyright © 2014 Ah! E por falar nisso... • All Rights Reserved.
Template Design by BTDesigner • Powered by Blogger
back to top