quinta-feira, 25 de maio de 2017

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar

Muita gente acreditou que um terceiro filme confuso e um quarto esquecível seriam a ruína da franquia comandada por Jack Sparrow (Johnny Depp). Entretanto seis anos após se perder Navegando em Águas Misteriosas, os Piratas do Caribe estão de volta com fôlego renovado para enfrentar A Vingança de Salazar.

Como trazer vida nova para uma franquia que perdeu o rumo? Resgatando aquilo que deu certo. Esta nova aventura traz de volta muita coisa da trilogia original, principalmente de A Maldição do Pérola Negra. Deixando quase tudo da quarta aventura de lado – não dava para restaurar a perna do Barbosa, ou dava?

O longa traz de volta à cena volta Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) através de seu filho. Henry (Brenton Thwaites de O Doador de Memórias) dedicou a vida à procura de uma forma de libertar seu pai da maldição do Holandês Voador, e está perto de conseguir. Ele só precisa de um artefato mítico, claro, e da ajuda de Jack Sparrow. Nessa jornada ele esbarra no capitão Salazar (Javier Bardem) que promete vingança ao pirata amante de rum vivido por Depp. Também na correria pelos mares à fora estão a jovem Carina (Kaya Scodelario, Maze Runner), a moça está tenta decifrar um mapa que acredita ter sido deixado por seu pai, o sempre presente capitão Barbossa (Geoffrey Rush), boa parte dos bucaneiros secundários dos filmes anteriores. Além, claro, da marinha britânica ainda tentando prender praticamente todo mundo. Desta vez sob o comando de Scarfield (David Wenham, Punho de Ferro).

Busca à lugar e artefato que todos acreditavam ser uma lenda? Confere. Par romântico previsível e jovem? Confere. Tripulação de piratas mortos? Confere. Oficiais britânicos incompetentes? Confere. Grandes batalhas em navios? Confere. Jack e Barbosa? Confere. Rum? Confere… Sim, você entendeu direito. Este longa tem praticamente, e propositalmente, todos os elementos do primeiro filme. Mesmo algumas piadas retornam – mas não a do cachorro? – Estratégia comercial e competitiva sim, mas desta vez funcionou relativamente bem.

O roteiro é mais compreensível que do terceiro filme, embora não mais simples. Há uma quantidade enorme de personagens. E o retorno de nomes antigos, mesmo que apenas mencionados, garantem o interesse que a quarta aventura não conseguiu despertar no expectador. Some a isso muitas cenas de ação, com a qualidade e insanidade já conhecidas da franquia, e esta tem chances de sobreviver por mais alguns filmes.

A escolha de efeitos especiais práticos, são um acerto da produção. E compensam, em parte o excesso de CGI das criaturas sobrenaturais, monstros e flashbacks. A mistura de técnicas não é novidade nos filmes dos piratas, mesmo assim, não é infalível. A cena clímax, por exemplo mistura tudo isso, além de muitos personagens, fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, tornando a ação confusa em alguns momentos.

Outro ponto fraco é o casal Henry e Carina, que não repetem a química e carisma de Will e Elizabeth. Já Bardem, se diverte, e entrega um bom vilão na medida que o roteiro permite. Com tantos personagens, não há tempo para aprofundar muitos deles. Salazar é um bom vilão, mas não tão aterrorizante quanto Barbossa fora na estreia da franquia. E vale lembrar, que mais uma vez somos apresentados ao “terror dos sete mares”. Se todo filme traz um novo, os mares deste universo estão superpopulosos.

Quem tem espaço para fazer o que bem entende, claro, é Jack Sparrow. Novamente sem navio, ainda constantemente bêbado e com planos mirabolantes. Personagem e intérprete tem o curioso luxo de não precisar evoluir de um filme para o outro, sem deixar de ser o favorito do público. A surpresa fica por conta de Barbossa. Tão confortável quanto Depp no papel, mas com espaço para fazer coisas diferentes. Geoffrey Rush entrega um lado mais humano de seu pirata vaidoso, sem estragar sua essência de “vilão-bonzinho” que amamos odiar.

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar resgata muitos elementos de A Maldição do Pérola Negra, mas está longe de ser tão eficiente quanto o original. Entretanto, é melhor que os dois títulos anteriores, e tem potencial para relembrar ao público seu apreço pela franquia. Ou no mínimo é uma boa sessão pipoca, com ação, comédia e aventura. Vai fazer um navio de dinheiro, garantir mais aparições de Sparrow na tela grande, e divertir a grande maioria. Não é perfeito, mas é um retorno razoável, especialmente para um universo inspirado em um brinquedo antigo da Disney.

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales)
2017 - EUA - 129min
Aventura


P.S.: Sim, aquele pirata é o Paul McCartney. E não saia da sala antes do fim dos créditos!


Post originalmente publicado no blog Roteiro Adaptado

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