sexta-feira, 12 de maio de 2017

Sense8 - 2ª temporada

Em seu primeiro ano, Sense8 apresentou um conceito completamente único de abordar empatia. O que acarretou em uma mitologia completamente nova: exitem no mundo seres humanos com a habilidade de se comunicar sensorialmente, compartilhando habilidades, experiências e sentimentos. E este início foi bastante lento. Além de compreender este novo mundo, - não completamente, ainda existem mistérios -  precisamos conhecer os oito protagonistas que vão descobrir universo com a gente, ao mesmo tempo que estes conhecem uns aos outros e suas novas habilidades. Logo, foi só no final da temporada que temos realmente noção dos perigos que cercam a vida de um "sensate", e temos um e a jornada maior que eles precisarão enfrentar juntos.

Após um episódio especial de natal, que não avança muito a trama, a audiência estava mais que ansiosa pelo segundo ano. Reencontramos  Will (Brian J. Smith), Riley (Tuppence Middleton), Capheus (Toby Onwumere), Sun (Doona Bae), Lito (Silvestre), Kala (Tina Desai), Wolfgang (Max Riemelt) e Nomi (Jamie Clayton) já cientes e dominantes de suas novas habilidades, tentando equilibrar os novos dilemas com a vida cotidiana. Uns, sendo melhor sucedidos nisso que outros. O que causa a primeira discrepância.

Enquanto Will, Riley e Nomi estão presos na brincadeira de gato-e-rato com o Whispers (ou Susurros se você viu dublado - Terrence Mann) e a OPB, a organização que caça sensitivos. Os demais personagens tem seus arcos próprios melhor desenvolvidos paralelamente à trama. Não que estes não estejam envolvidos, ou cientes da ameaça maior, ou que a Nomi e Will não tinham problemas pessoais a enfrentar. Mas o tempo de tela dedicado à vingança de Sun, ou ao drama de Lito é muito maior que o tempo que a hackivista tem para limpar seu nome na justiça por exemplo.

Mas repare, o tempo dedicado aos arcos é diferente, não o tempo de tela das personagens. Isso porque, agora no controle de suas habilidades, não faltam visitas e compartilhamentos de habilidades entre eles. O que, afinal, foi o ponto alto da primeira temporada. Adeptos do ditado "a união faz a força", também há muito mais sequencias do grupo todo reunido, mesmo que a presença de algum deles não seja necessária - Como uma DJ pode colaborar em uma cena de perseguição e luta? - Esse excesso, tira um pouco da "preciosidade" de cada encontro, e subestima reuniões entre dois personagens, geralmente mais reflexivas, mesmo quando o assunto parece ser trivial. Como aquela em que Capheus explica para Kala, como uma TV pode ser mais importante que uma cama, em uma realidade onde há pouca esperança.

Outro excesso é o de sequências em câmera lenta, acompanhada de uma trilha marcante. Ok, entendemos que as experiências sensoriais são mais profundas, e os oito personagens saboreiam cada segundo. Mas para nós expectadores fica a sensação de repetição e trama arrastada. Tudo que é demais enjoa não é mesmo?

Nem sempre, não enjoamos dos protagonistas por exemplo. Embora cada pessoa eleja seus prediletos, nos conectamos com todos. Este é provavelmente o maior acerto da produção, tornar aqueles personagens críveis e empáticos o suficiente, para acreditarmos que poderíamos conhecer ou ser qualquer um deles. O mesmo vale para os "homo-sapiens", as pessoas comuns, que o cercam.


Amanita (Freema Agyeman), Hernando (Alfonso Herrera) e Daniela (Eréndira Ibarra), já haviam roubado a cena. Agora se firmam como pontos importantes em suas tramas, saibam eles ou não da existência dos "sensates". Angélica (Daryl Hannah) e Jonas (Naveen Andrews) também retornam, mais para confundir que assustar. Trazendo fragmentos de informação que os protagonistas - e expectadores - tentam unir e decifrar. É aqui que surgem as novas dúvidas e mistérios, inclusive sobre coisas que acreditávamos ter entendido, como a extensão das habilidades dos empatas. Além da trama cientifica ameaçadora por trás de tudo, experiências, medicamentos, lobotomia, outros "sensates", que aprendemos ser "homo-sensórius"... Há todo um novo mundo à ser explorado. Ele é confuso, e não vai ser completamente esclarecido nesta temporada. Esteja avisado.

Com tantos detalhes, não é de surpreender que falhas aconteçam. Algumas delas gritantes como "pessoas comuns" aparecendo em situações de "visita", quando um membro do cluster vai onde outro está. Conexões entre "sensates", difíceis de explicar ou que escapam à regras pré-estabelecidas. Infelizmente nenhuma série é infalível.

Apesar de algumas falhas e excessos, Sense8 apresentou um segundo ano eficiente. Avançou as tramas individuais dos personagens e amplificou a ameaça maior. Sem deixar de lado a ação ou, abandonar os temas que chamaram a atenção em sua estréia, como o valor da diversidade e se colocar no lugar do outro. Achou que eu ia falar,  homossexualidade, transgêneros, perseguição à minorias, desvalorização das mulheres? Sim estes temas também voltaram, mas acredito que são vertentes dos dois primeiros. 

É uma série sobre empatia, se colocar no lugar do outro e consequentemente compreende-los e aceitar suas diferenças . E o maior trunfo para conseguir isso, é com seus personagens bem apresentados, e abraçados por seus intérpretes. Mesmo o Capheus, que ganhou um novo rosto. É com os personagens que nos preocupamos, e nos colocamos no lugar. Logo não questionamos se a "fossa" do Lito é um problema menor que a perseguição pela OPB. É uma dificuldade, e não deve ser menosprezada. 

Lembrar ao expectador que todos tem problemas, que devemos respeitar a individualidade de cada um, e ainda ter tempo para cenas de ação explosivas. São muitos méritos para uma série de TV, não acha?

A segunda temporada de Sense8 tem dez episódios, mais o especial de natal de duas horas, todos já disponíveis na Netflix.

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