segunda-feira, 31 de julho de 2017

Okja

Seja para grandes corporações, ou até para indivíduos, no mundo atual atual é cada vez mais importante parecer do que ser. Desde que em público você atenda à um padrão pré-determinado, não parece importar muito suas ações verdadeiras. É na verdade sobre isso que se trata Okja, novo filme do diretor sul coreano Bong Joon-Ho (Expresso do Amanhã) disfarçado de aventura sobre uma garota e seu bichinho de estimação.

As empresas Mirando, através da peculiar figura de sua CEO Lucy Mirando (Tilda Swinton), apresentam em um grande espetáculo de marketing uma espécie de animal recém descoberta e revolucionária. O "super porco" é mais econômico eficiente e deve erradicar a fome mundial, mas antes um concurso deverá descobrir a melhor forma de cria-los. Assim, 26 animais são entregues para criadores de diferentes países, para que cada um cuide dos bichos de acordo com sua cultura. Dez anos mais tarde Mija (Seo-Hyun Ahn) e Okja vivem livres nas montanhas, quando o fim do concurso separa a neta do criador sul-coreano e sua amiga de quatro patas. É claro, que a garota não vai medir esforços ou perigos para resgatar seu bichinho.

Depois de um início com boas cenas de ação e até um pouco de comédia com tom mais inocente, que situa a posição, e determinação, de cada um na disputa por Okja - inclua além de Mirando e Mija, um grupo de defensores dos animais - a trama abraça a crítica mais aberta à sociedade em sua segunda metade. Mostrando a hipocrisia da indústria, o jogo midiático e a manipulação de informações e dos consumidores. Os comentários são inclusos de forma natural sem levantar bandeiras na cara do expectador. Os erros e equívocos da sociedade existem, estão lá e movem a trama naturalmente. Só não percebe quem não quer.

Também só se não quiser, você não acreditará em Okja. A "super porca" que motiva trama, mais parece uma mistura de hipopótamo com um cachorro muito bem treinado, pensa, sente e consegue demonstrar isso através de seus grandes olhos de CGI. É claro, há uma certa de aura mágica e lúdica em torno do animal, tanto em sua personalidade, quanto na aparência. Mas estas características colaboram para a criação da empatia ou é coerente com as escolhas de marketing de sua criadora ao coloca-la sobre o holofotes.

E por falar em Lucy Mirando, Swinton apresenta uma caricatura meticulosamente criada como um exemplo perfeito das "aparências" que enganam, da imagem que criamos para os outros escondendo nossas "imperfeições", e com um toque colorido que a aproxima de um personagem de animação. Outros que se destacam são Jake Gyllenhaal e Paul Dano. O primeiro como um amante dos animais com treitos de Borat explorado pela mídia.  O segundo como líder de uma curiosa organização de defesa dos animais. Mas quem supreende, é a carismática Seo-Hyun Ahn de apenas treze anos. A jovem não apenas se sai bem na atuação com criaturas em computação gráfica, como consegue manter o interesse do público de qualquer parte do mundo, falando majoritariamente coreano. Também estão no elenco Giancarlo Esposito, Shirley Henderson, Lily Collins e Steven Yeun (o Glenn de The Walking Dead).


Lançado diretamente na NetflixOkja é uma aventura sobre amizade que levanta debates e críticas pertinentes sobre a sociedade atual, sem nunca deixar de entreter. Bem produzida e com um roteiro inteligente, ainda bem (ou talvez uma pena?) que não usa porcos comuns como protagonistas, pois faria muita gente repensar seus hábitos alimentares.

Okja
2017 - Coréia Do Sul, EUA - 118min
Aventura, Ficção científica, Drama
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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dunkirk

Devo admitir uma coisa, aprendo mais história assistindo filmes e séries que nos tempos de escola. Para isso, é claro, preciso levar em conta as romantizações, licenças poéticas e fazer uma ou outra pesquisa. Apesar de ser inspirado em uma história real Dunkirk é umas destas produções que abraçam muitas licenças para alcançar seus objetivos. Demonstrar a condição humana, mais precisamente o desespero pela sobrevivência. Este parece ser o principal intuito de Christopher Nolan ao nos contar sua leitura da Operação Dinamo.

Também conhecida como Evacuação de Dunquerque, quando tropas aliadas foram encurraladas na praia da cidade francesa e mobilizaram uma complexa operação de resgate sob fogo inimigo com ajuda inclusive de civis. Acompanhamos o resgate em três linhas temporais diferentes. Uma semana dos soldados presos na praia, um dia de civis cujos barcos foram destacados para o resgate e uma hora de confronto nos céus dos pilotos que tentam dar cobertura para a retirada.

As diferentes perspectivas de uma mesma batalha e a temporalidade discrepante são indubitavelmente o grande diferencial da narrativa. E apesar de definir esta diferença desde o início, para alguns pode parecer uma trama difícil de compreender, especialmente nos primeiro minutos de projeção. Há aqueles que defendam que a confusão é intencional. Mais um artificio para fazer o expectador experimentar outro sentimento dos soldados, o de não compreender o que realmente se passa a sua volta. De uma forma ou outra, a divisão coloca o filme em um tom de clímax constante muito bem filmando.

Desde a escolha dos diferentes ângulos em sequencias no mar, até o pouquíssimo uso de CGI, tudo ajuda a aumentar no expectador a sensação de desespero, medo e até claustrofobia vivenciada pelos personagens. Não se surpreenda, ao se perceber com a sensação de sufocamento segurando a respiração junto com os jovens soldados, mas aproveite para lembrar que não é preciso o uso de 3D para a sensação de imersão na narrativa. O 2D sempre foi capaz de falê-lo muito bem e Dunkirk se prova como espetáculo visual e sensorial digno da expectativa criada sobre ele.

Sem protagonistas declarados, o elenco bem selecionado cumpre seu papel de forma eficiente em um tom uniforme, mesmo que seus personagens nunca se encontrem. Apesar do esforço, falta história de origem para que o expectador possa realmente se importar  com cada um daqueles homens. A produção peca na crianção de empatia e deixa todo o interesse da audiência a cargo da urgência.

Os revezes da tentativa de resgate do jovem soldado Tommy (Fionn Whitehead), ao lado de outros soldados, igualmente perdidos, oscilam vertiginosamente, entre, esperança, alívio, medo e decepção. Inclua aqui um eficiente Harry Styles, a escalação do astro pop adolescente chamou atenção principalmente quando Nolan revelou que não conhecia a fama pregressa do músico. Nos céus o piloto Farrier (Tom Hardy), conduz sua missão com frieza e raciocínio metódico em meio a rajadas de aviões inimigos. Enquanto Mark Rylance rouba a cena novamente ao extrair o máximo do pouco tempo em tela como o patriota Dawson que vai voluntariamente ao resgate em meio ao fogo cruzado. Outro desperdício fica por conta do núcleo Comandante Bolton (Kenneth Branagh, excelente mas preso na mesma marcação por todo o filme), que escala James d'Arcy (o Jarvis de Agent Carter) apenas para que ouvir seu superior.

Sobre as licenças poéticas que mencionei no início deste texto, o filme peca ao focar apenas nos britânicos. Sozinhos, eles são as maiores vítimas e os grandes heróis. Chegamos a ver os franceses serem "excluídos" do resgate, apenas para mais tarde ver Bolton ficar para trás por eles, como o grande salvador fazendo um sacrifício. A operação verdadeira incluiu as tropas aliadas desde o seu início. Pouco também é definido quanto ao contexto histórico antes e depois da batalha. Antes sabemos apenas o suficiente para torcermos pelo sucesso da operação. E ao final, tempos apenas a certeza de que a "vitória" e a trégua são passageiras. Nem ao menos vemos os vilões, os alemães são representados por tiros e explosões.

Mudanças históricas a parte, Dunkirk cumpre seu objetivo. Aponta o desespero e a agonia de tentar sobreviver aos absurdos de uma guerra, e a forma como as pessoas e suas ações são afetadas por ela. Tecnicamente perfeito, leva o expectador do outro lado da tela a experimentar muitas destes sentimentos, se a sensação vai deixar a sala escura e gerar discussão e interesse posteriores depende de cada um. Eu fui aprender mais sobre Dunquerque e a Operação Dínamo, e tive a reafirmação que a insanidade da guerra deve ser evitada a qualquer custo. E você?

Dunkirk
2017 - EUA, França, Reino Unido, Holanda - 107min
Guerra, Histórico, Drama
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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Em Ritmo de Fuga

Sabe aquele seu amigo que odeia musicais? Leve ele para assistir Em Ritmo de Fuga e depois você pode dizer que ele gostou depois você pode dizer que ele finalmente assistiu um exemplar do gênero até o fim. Já quem não curte o estilo Velozes e Furiosos vai se descobrir completamente imerso nas cenas de perseguição. Pois o longa de Edgar Wright parece até um musical disfarçado de filme de ação! Brincadeiras à parte, a produção deve seu sucesso ao bom uso da trilha sonora.

Baby (Ansel Elgort) sofreu um acidente na infância que o deixou com um zumbido permanente nos ouvidos, som que ele abafa ouvindo música todo o tempo. Ele também é um excelente piloto de fuga, e bom moço. É contra as mortes, não gosta de ver os "colegas de trabalho" em ação e pretende partir para outra assim que pagar sua dívida, para ter um trabalho honesto, cuidar do pai e ser feliz com a garota que ama. Mas é claro que deixar a vida do crime não é tão simples assim.

Bandido de bom coração, levado ao mal caminho pelas circunstâncias em busca de redenção. Não é uma história original, é verdade! Mas nem sempre o mais interessante é a história mas a forma como ela é contada. E isso faz toda a diferença. Wright resolveu usar a música para conduzir a trama, coordenando não apenas o tom das cenas, mas até os gestos dos atores e as sequencias de tiroteio. Oferecendo um ritmo único não apenas para cada sequência de ação, mas também para os momentos de respiro e construção da trama entre elas. É assim que a história comum deixa de ser "mais do mesmo" e traz algumas sequencias memoráveis. 

Esta característica se faz presente desde a primeira cena, uma frenética perseguição ao som de Bellbottoms, do The Jon Spencer Blues Explosion. É claro, que depois disso a trama faz uma pausa para apresentar personagens e circunstâncias. É este o único momento em que o filme patina um pouco, após uma sequência de abertura que eleva a adrenalina do expectador ao máximo, esperar pela próxima sequencia de ação pode ser uma tortura para alguns. Cedo ou tarde estas cenas chegam, com ainda mais adrenalina e sincronia musical que a primeira.


Conhecido por A Culpa é das Estrelas e da franquia Divergente, Elgort cumpre bem o seu papel. Embora particularmente, eu preferiria alguém com um pouco mais de carisma, nada que não possa ser relevado, especialmente diante dos muitos bons coadjuvantes. Estão no elenco Kevin Spacey, Jon Hamm (um pouco exagerado em um momento ou outro), Jon Bernthal (o Justiceiro da Netflix/Marvel) e Lily James (de Cinderela). A mexicana Eiza González se sai bem considerando que tem que contracenar com gente mais conhecida e experiente que ela, enquanto Jaime Foxx é quem realmente se destaca ao mergulhar na insanidade violenta de Bats.

Um musical disfarçado, um longo vídeo-clipe, um filme que encontrou uma forma própria de dar ritmo à ação, Em Ritmo de Fuga não perde o bom humor, mesmo nos momentos mais tensos do filme. Tem uma relação com a música que deve aguçar amantes de ação, e tornar o gênero infinitamente mais interessante para quem não curte longas perseguições de carros. Tomara que inspire outras produções de ação à investir mais no estilo e um pouco menos na megalomania.

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)
2017 - EUA/Reino Unido - 113min
Musical Ação
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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Os Meninos Que Enganavam Nazistas

Hoje em dia, os pais monitoram cada minuto da vida dos filhos, seja ocupando seu pequenos corpos e mentes com muitas atividades, seja seguindo seus passos com ajuda da tecnologia.Se para eles deve ser impensável a era pré-celular quando saíamos sozinhos para brincar na rua, imagine duas crianças atravessando o país sozinhas em meio a 2ª Guerra Mundial?

Como dificuldade pouca é bobagem, em Os Meninos Que Enganavam Nazistas, Joseph (Dorian Le Clech) e Maurice (Batyste Fleurial) ainda fazem parte da minoria perseguida. Aliás é por serem judeus vivendo no período de ocupação nazista na França que sua família precisa se dividir e partir. Para não levantar suspeitas os meninos de 10 e 12 anos partem sozinhos de Paris para a "zona livre" no sul do país em 1941.

Além dos perigos evidentes, a dupla encontra todo tipo de pessoas, ficam cara a cara com a intolerância e, felizmente, são surpreendidos por algumas boas almas pelo caminho. Em uma viagem de altos e baixos, encontros, desencontros e muita incerteza.

Contado a partir da perspectiva do caçula Joseph a narrativa torna ainda mais evidente os absurdos e perigos de um capítulo feio da sociedade. E mostra de forma orgânica a transição forçada da infância para a idade adulta, ao mesmo tempo que dá a estes garotos o primeiro gosto de liberdade nos momentos de calmaria quando se descobrem sem compromissos ou adultos para lhes dizer o que fazer.


Com quatro anos de história para contar, o ritmo precisa acelerar em algumas passagens, que poderiam evocar no expectador sentimentos mais intensos se contados com mais tempo. Também não há muito trabalho para evidenciar a passagem do tempo para os protagonistas. Os mais desatentos podem pensar que a trama se passa em poucos meses e não anos. Mas a decisão por manter os atores mirins é acertada.

É verdade Joseph e Maurice pouco crescem fisicamente em quatro anos, mas o amadurecimento emocional é aquele que importa e a dupla o faz de forma excelente. Especialmente Le Clech, além de ter um grande carisma o pequeno protagonista não deixa a desejar para veteranos como Patrick Bruel e Elsa Zylberstein (interpretes de seus pais). Consegue imprimir, medo, esperança e até nobreza em sua atuação sem nunca perder o olhar leve e inocente de uma criança.

Essa abordagem "inocente" - por falta de palavra melhor - pode soar simplista demais e até didática em alguns momentos, especialmente em relação a trilha sonora que exagera ao tentar indicar o expectador o que deve sentir. Por outro lado, é uma linguagem mais acessível especialmente para aqueles que compartilham a idade com os protagonistas.


Os Meninos Que Enganavam Nazistas é baseado no best seller autobiográfico de Joseph Joffo, lançado originalmente em 1973 e que chega ao Brasil este ano pela Vestígio. Tem intenções similares à muitas narrativas sobre os horrores da Segunda Guerra, mas uma linguagem própria graças ao carisma de seu jovem protagonista. É mais uma boa aquisição para a importante galeria de histórias que precisam ser contadas e recontadas, para todos os públicos. Na tentativa sincera de evitar que tais absurdos não se repitam.

Os Meninos Que Enganavam Nazistas (Un Sac De Billes)
2017 - França, Canadá, República Tcheca - 113min
Drama
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sexta-feira, 21 de julho de 2017

7 Desejos

Para o bem o para o mal, toda magia tem um preço, especialmente em um filme de terror. Isso não é novidade, Logo deveria ser difícil encontrar alguém que acredite em artefatos mágicos misteriosos na tela grande. Mas é claro que personagens de ficção nunca aprendem, então 7 Desejos relembrar esse fato imutável da ficção.

Claire (Joey King) é uma típica adolescente estadunidense, tentando sobreviver ao bullying na escola e à uma vida complicada sem a mãe e com um pai acumulador. É em umas dessas catanças de lixo que Jonathan (Ryan Phillippe) encontra uma caixa bonita e decide presentear a filha. A garota toma o objeto como peça de decoração até que faz um desejo sobre ela e este se realiza. É claro, ela resolve testar o artefato e demora bastante a perceber que os acontecimentos horríveis à sua volta tenham relação com seus pedidos.

Objetos mágicos que concedem pedidos que não terminam muito bem não são novidade na cultura pop. Ou o pedido se realiza de uma forma equivocada no melhor estilo "cuidado com o que deseja", ou um alto preço é cobrado. É neste segundo "estilo" que a misteriosa caixa chinesa de Claire opera. Para cada pedido a adolescente perde algo que lhe é importante, e mesmo depois de consciente de seus atos a garota não consegue parar. Aqui o filme cria um arco interessante para sua protagonista. Fala um pouco de ambição e vício, sem nunca aprofundar demais no tema, afinal é um terror de verão para o público jovem.


E por falar no público alvo, é por causa dele que o filme desperdiça muito de seu potencial. A história não é novidade - nem acho que tinha pretensão de ser - e mesmo o desenrolar da história é previsível. Em outras palavras, sabemos que alguém vai morrer, as vezes até mesmo antecipamos quem será a vítima, mas tudo bem pois a "graça" está em quando e como estas mortes vão acontecer. O longa segue a linha da franquia Premonição ao colocar vítimas em diversas situações de risco aguçando a curiosidade do expectador sobre qual delas será fatal. Entretanto, a censura baixa (PG13 nos Estados Unidos, 14 anos aqui no Brasil) não permite que o filme de fato mostre as mortes chocantes. Boa parte das cenas fica na sugestão. Suficiente para assustar o público mais jovem, menos eficiente para quem curte o gênero, ou no mínimo já assistiu algum filme da franquia que coloca a morte inevitável no destino das pessoas. 

O ponto forte está no elenco jovem bem escolhido. Além de King, já veterana nas telas e no gênero terror (quem lembra dela em Invocação do Mal?), Ki Hong Lee (o Minho de Maze Runner), Shannon Purser (a Barb de Stranger Things) e Sydney Park (As Visões da Raven, The Walking Dead), garantem a empatia do público. O elenco adulto traz Kevin Hanchard (Orphan Black) e Sherilyn Fenn (Twin Peaks).

Do mesmo diretor de Annabelle, John R. Leonetti, este longa é mais eficiente em criar tensão e tem menos sustos gratuitos - aquele que a música sobe repentinamente de propósito para assustar no pior estilo "BÙ!" - mas estes ainda estão presentes em uma cena ou outra. Bem produzido, 7 Desejos precisava de um pouco mais de ousadia e uma censura mais alta para ir além do "mais do mesmo". Deve agradar e divertir o suficiente para garantir uma sequência - sim existe gancho parar isso - mas não vai ficar muito tempo na memória dos expectadores.

7 Desejos (Wish Upon)
2017 - EUA - 90min
Terror
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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Amizades dos 7 reinos e além!

Hoje é Dia do Amigo! Então está na hora de soltar aquele post nada tradicional sobre o tema por aqui. E já que não pensamos em outra coisa que não seja a 7ª temporada de Game of Thrones, que tal conferir se amizades conseguem florescer em um mundo tão cheio de conflitos.

Ned e Robert

Criados juntos, tinham o mesmos ideais, foram para a guerra juntos e até conquistaram o reino. Amizade que durou por toda sua curta vida, sem no entanto, deixar de colocar o melhor amigo em uma encrenca ou outra.

Robb e Theon

Também criados como irmãos, foram para a guerra juntos. Mas já que Theon não era exatamente um convidado em Winterfell - era um prisioneiro muito bem tratado -, não demorou muito para o Greyjoy decidir que queria mais e trair o amigo. Decisão da qual temos certeza de que ele se arrepende amargamente.

Jon e Samwell

O filho bastardo e o filho renegado, ambos nasceram em casas nobres e apenas isso já é motivo de desdém para os outros irmãos menos privilegiados da patrulha. Os novatos acabam virando amigos não apenas pelas circunstâncias, mas por serem opostos. As qualidades de um completam o outro. O que o John tem em habilidade de luta, Sam tem em conhecimento. E o que Tarly tem em covardia, Snow tem em impulso. São uma boa combinação para manter a manter a muralha de pé. Não é atoa que o Lord Comandante Snow sofre um motim logo depois que seu BFF parte para a cidadela.

Daenerys e Missandei

Nos livros Missandei é apenas uma menina e Danny divide seus "momentos livres" entre várias damas de companhia, a maioria dotraki, mas na série a intérprete ocupa o lugar de todas elas. A mãe dos dragões e a ex-escrava batem papo, trocam figurinhas, combinam roupas, conversam sobre rapazes e até trançam o cabelo uma da outra. #BFFsForever!
Quem aí já teve uma Mãe de Dragões, Rainha de Mereen, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Quebradora de Correntes, Senhora dos Sete Reinos e Khaleesi dos Dothraki trançando seu cabelo?

Arya e Gendry (e Torta Quente)

Rumores sobre o retorno do ator Joe Dempsie aos sets deixaram os fãs de  Game of Thrones animados: será que finalmente Arya e Gendry vão se reencontrar. Outra amizade construída pelas circunstâncias, ambos precisara fugir de porto real após a morte de Ned Stark e o fizeram seguindo a Patrulha da Noite. Mais esperto que a média o bastardo Baratheon não apenas percebeu que Arry na verdade era uma menina disfarçada, como logo entendeu o "jeito moleque" da garota. Junto com Torta Quente, outro viajante enfrentaram os maiores perigos nas estradas de Westeros.

Bran, Meera e Jojen

Não temos certeza se é amizade ou cilada! Jojen e Meera Reed, foram jurar fidelidade à casa Stark quando Bran era "o Stark em Winterfel" (na série a dupla aparece mais tarde). Mas o jovem Reed de visão verde tinha uma missão prórpia, levar o lord que não pode antar até o corvo de três olhos. Fiel ao irmão Meera foi junto na viagem mais cheia de perrengues dos sete reinos. Muita caminhada, fome e frio até o destino e a coisa não melhora muito quando alcançam seu destino. Nos livros o trio (e Hodor) continua na caverna em relativa segurança. Na série Jojem e Hodor foram mortos e Meera precisou carregar Bran sozinha no pior inverno em milênios. Será que a amizade resiste?

Bron e suas amizades mercenárias

Não sabemos se ele estava apenas entediado ou visando ouro Lannister quando Bron se oferece para ser o campeão de Tyrion no julgamento por combate no Ninho da Águia. Mesmo assim o mercenário e o anão curtem bons momentos juntos (inclua o escudeiro Podric aqui). Até aparecer outro julgamento que Bron não pode vencer. Nos livros o Cavaleiro do Água Negra, sai de cena para casar, na série ele cultiva amizade com outro Lannister e vai protagonizar as piores aventuras em Dorne ao lado de Jaime, depois continua seguindo o regicida em suas missões. Ao menos de Pod ele parece gostar sem grandes interesses.

Varys e Tyrion

É difícil acreditar que o Aranha cultive amigos e muito menos que o anão confie nele. Mas bem que a dupla forma uma pareceria e tanto quando precisam governar Westeros por trás das loucuras de Joffrey e Cersey. Apenas na série a parceria se repete com Varys e Tyrion ajudando a manter o reinado de Daenerys.

Varys e Illyrio Mopatis

A amizade mais misteriosa de todo o universo das Crônicas de Gelo e Fogo. Mal vêmos a dupla juntos (na série Illyrio só aparece na primeira temporada), mas já aprendemos que seus esquemas e as idéias.

Davos e Stannis

O contrabandista ganhou a confiança de Stannis quando conseguiu esgueirar através do Cerco de Ponta Tempestade e levar cebola e peixe salgado para os habitantes do castelo. A comida permitiu que os moradores sobrevivessem ao cerco e por isso Davos foi sagrado Cavaleiro das Cebolas, não antes de ter as pontas dos dedos cortados por Stannis como punição por ser contrabandista. Essa amizade cheia de dever e honra continuou com Davos como principal conselheiro de Stannis, e sua Mão quando este se decalara rei. Nos livros a parceria continua, na série dura até Stannis ser morto em batalha.

Jaime e Brienne

Amizade colorida versão Westeros! Prisioneiro e guarda conhecem melhor um ao outro na estrada. Daí nasce admiração e se depender torcida dos leitores/expectadores algo mais. Péssima notícia para Tormund.
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Achou mais alguma amizade que consegue florescer em meio a guerras, intrigas palacianas, zumbis de gelo e dragões? Que tal chamar aquele seu amigo que também é fã e fazer uma maratona da amizade de Game of Thrones esse fim de semana? Só tome cuidado se resolverem se espelhar nestes parceiros da telinha.

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terça-feira, 18 de julho de 2017

Transformers: O Último Cavaleiro

Eu não assisti o quarto filme da franquia Transformers, e admito que lembro pouca coisa dos três primeiros. Mas nada disso importa, pois mesmo que eu tivesse feito uma maratona pré Transformers: O Último Cavaleiro, eu não entenderia tudo que está passando na tela. E você também não! Isso porque o filme não é complexo, cheio de mitologias e referências, ele é apenas confuso mesmo. 

Humanos e Transformers estão em guerra, e os robôs gigantes vivem escondidos. Cade Yeager (Mark Wahlberg) é um dos poucos humanos que defendem os personagens título. Em um de seus "resgates", ele conhece Izabella (Isabela Moner), uma garota que ama os Transformers e até entende sua "biologia". Mas não demora muito para ele abandonar os velhos e novos amigos ao ser jogado em uma aventura em busca de um tesouro perdido ao lado de Sir Edmund Burton (Anthony Hopkins, que devia estar com muito tempo livre) e Vivien Wembley (Megan Fox genérica Laura Haddock). Enquanto isso, Optimus Prime viaja pelo universo e Megatron prepara um novo retorno.

Dinossauros, cavaleiros da távola redonda, segunda Guerra Mundial, espaço, presente, passado futuro... a nova empreitada de Michael Bay parece determinada a inflar a franquia de conceitos que não cabem em apenas um filme. Especialmente um que valoriza muito a mais a ação que a trama. Não é incomum sair da sala com a sensação de a história foi criada em torno das cenas de ação que eles queriam fazer, sempre maiores e mais grandiosas.

Mas aí você pode estar pensando: mas Fabi essa é mesmo uma franquia focada na ação! - Verdade e não há nada de errado nisso, mas nesse caso ao menos estas cenas tem que fazer sentido. As sequencias tem cortes rápidos demais, excesso de personagens e explosões (claro!). O resultado é você se descobrir na dúvida de onde estão vários personagens, enquanto assiste o Bumblebee desferir alguns golpes, e esperando a luta acabar para realmente entender o que aconteceu. As cenas inteligíveis não fazem jus ao valor da produção, nem ao esforço de rodá-la inteira em IMAX 3D.

De volta a história é difícil não perceber que a trama praticamente não repete locações. Os personagens saltam de um lugar a outro como se o teletransporte também existisse naquele universo. Também é difícil não brincar de procurar referências. Stranger Things, Robocop, Rei Arthur, O Código da Vinci, Esquadrão Suicida, Game of Thrones e Gravidade devem ter sido algumas das últimas coisas que a sala de roteiristas da produção assistiu e achou que os expectadores gostariam de assistir, mesmo que as ideias não encaixem.

Esse quebra cabeças mal encaixado que é o roteiro ainda arranja espaço para relembrar momentos dos filmes anteriores e trazer de volta personagens conhecidos. O Tenente-coronel William Lennox (Josh Duhamel), está nas forças do governo contra os transformers, enquanto Agente Simmons (John Turturro), faz uma aparição sem grande importância. Já, Stanley Tucci retorna em outro personagem, sem que haja explicação alguma da semelhança física. 

O protagonista de Mark Wahlberg, tenta inutilmente dar liga nessa trama desencontrada, ao menos o ator parece abraçar a loucura e se divertir com isso. Essa também deve ser a explicação para a presença de Anthony Hopkins, ele estava atoa e queria um passatempo. Ao seu personagem é dono do único robô realmente novo e diferente: um mordomo engomadinho, dono das únicas rizadas genuinas e que lembra o C3PO . - Ops! Faltou colocar Star Wars na lista de referências, ou seria Metrópolis?


Transformers: O Último Cavaleiro prometeu muitas novidades, mais aventuras e além de mostrar como os robôs gigantes estão ligados à história da humanidade. Infelizmente, só entregou novas versões de action-figures e um amontoado de explosões em cortes tão rápidos que não dá para saber o que explodiu. Michael Bay afirmou que este é seu último filme na franquia. Mas ele já disse isso antes e a sequencia já está confirmada, assim como o spin-off do Bumblebee. O jeito é torcer para que alguém arrume a casa nos próximos filmes. Não precisamos de personagens profundos, com grandes arcos dramáticos ou uma trama cheia de engajamento. Basta a história fazer sentido e as cenas de ação funcionarem que já me dou por satisfeita.


Transformers: O Último Cavaleiro (Transformers: The Last Knight)
2017 - EUA - 159min
Ação, Ficção científica


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