quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Kingsman: O Círculo Dourado

Segundo a cartilha de clássicos da espionagem como James Bond, um bom agente secreto precisa ser ágil, destemido, habilidoso, infalível, invulnerável ao álcool e um grande garanhão que salva o mundo sozinho. Já os filmes que eles protagonizam tem que ter gadgets impossíveis, vilões caricatos com planos mirabolantes, reviravoltas e cenas de ação gigantescas. A menos é claro que você seja um agente da Kingsman!

Desde sua primeira aventura nas telas a franquia subverte este livro de normas, seja invertendo seus valores, seja exagerando ao ponto de transformá-los em comédia voluntária e consciente de seus absurdos. É desta inteligente e ousada crítica ao "lugar comum" do gênero da espionagem que vem o frescor e charme da franquia. E apesar de não ter mais a surpresa da novidade do primeiro longa, Kingsman: O Círculo Dourado conta com a satisfação do reencontro com personagens que já amamos.

Um grandioso ataque quase elimina a agência e obriga Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) a buscar uma ajuda emergencial inédita, é assim que descobrimos a existência dos Statesman. Uma instituição "estadunidenase" de espionagem onde trabalham Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champagne (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry). Eles precisam impedir a mega-vilã da vez, a maior traficante de drogas do mundo, Poppy (Julianne Moore).

Um agente já experiente em campo os desafios de Eggsy agora são seguir com a missão enquanto encara a dor da perda, e tenta balancear a vida de agente com a amorosa. - Lembra daquela princesa? Pois é, ela não era uma mera Bondgirl EggysGirl!?! - Já Merlin encara situações novas para um veterano. Enquanto a surpresa desperdiçada pelo marketing, que informou desde o início o retorno de Harry Hart, ao menos oferece a Colin Firth a oportunidade de dar novas nuances ao outrora "agente perfeito" Galahad.

Enquanto a história da Kingsman e de seus funcionários segue em frente descobrimos a familiar dinâmica da Statesman. A agência do outro lado do Atlântico tem estrutura propositalmente semelhante à britânica. Na trama, porque as instituições tem a mesma base. Na realidade, um jeitinho divertido de dizer que agências secretas de cinema no fundo são todas iguais. 

Outras críticas e piadas que vem atreladas ao novo país são o patriotismo exagerado, a "lentidão mental" dos americanos e Donald Trump. Entre os convidados o destaque fica com o Pedro Pascal (o Oberin de Game of Thrones). Whiskey é o agente Statesman com mais tempo de tela, um cowboy mulherengo sem medo de dizer o que pensa. É dono do gadget/arma inovadora da vez e consequentemente de algumas das melhores cenas de ação.


E por falar nas sequências de ação, não há nenhuma tão marcante ou surpreendente quanto a cena da igreja protagonizada por Firth em Serviço Secreto. Mas todas tem a estética, dinâmica e qualidade que chamaram a atenção no filme anterior. Violência estilizada, câmera nervosa, cortes dinâmicos em sincronia com a trilha sonora, sempre ágil, exagerada e nunca incompreensível.

Compreensível também são as motivações de Poppy, até porque ela faz questão de explicar direitinho como toda boa vilã. Isto é, compreensível, dentro do universo de vilões cartunescos que querem dominar o mundo de um jeito ou outro. Moore entrega um perfeita dona de casa dos anos de 1950, tão elegante e impecável quando implacável para alcançar seus objetivos. Presa em seu próprio mundo perfeito, Poppyland, que mistura alta tecnologia e nostalgia, faz várias referências e analogias ao mundo não tão sublime que pode se esconder por baixo das aparências.

Se o primeiro longa fazia piada com os clichês dos filmes de espionagem, Kingsman: O Círculo Dourado não tem vergonha de zoar a si mesmo. Recria inclusive situações do primeiro filme, apenas para brincar com suas expectativas. Critica a necessidade da indústria a megalomania a indústria, sendo megalomaníaco. Repete um pouco do que o seu antecessor fez, é verdade! Mas assume isso, e aproveita para criticar a fórmula pronta. Sempre com um roteiro coerente, bem dirigido, com elenco afinado, boas cenas de ação e a melhor participação de Elton John que você vai ver em um filme!

Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle)
Reino Unido, EUA - 2017 - 141min
Ação, Espionagem, Comédia


Leia a crítica de Kingsman: Serviço Secreto

0 comentários:

 
Copyright © 2014 Ah! E por falar nisso... • All Rights Reserved.
Template Design by BTDesigner • Powered by Blogger
back to top