sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O Rei do Show

Vou começar este post com uma informação importante que, se você ainda não souber, provavelmente não vai descobrir apenas assistindo à O Rei do Show: este longa é uma biografia. Ou quase isso! É levemente inspirado na vida de P.T. Barnum (Hugh Jackman). Precursor do showbiz, que reformulou o circo como conhecendo, fez fama exibindo pessoas com características singulares, consideradas aberrações, e até algumas fraudes.

Essa versão musical do primeiro showman da história, mostra um homem de origem humilde que inicialmente quer apenas dar a vida que prometera a sua esposa de origem abastada, Charity (Michelle Williams, deslocada) mesmo que ela não se preocupe com luxo. Mas ele se perde no caminho ao buscar obsessivamente aprovação da alta sociedade.

Reparou que não mencionei as tais "aberrações" e números que deram fama ao protagonista na sinopse acima? Isso é porque pouco vemos destas pessoas ou mesmo dos números que apresentam. As únicas com um pouco de destaque são Lettie, a Mulher Barbada (Keala Settle), que rouba a cena sempre que canta. E a trapezista Anne (Zendaya) que tem um romance com o parceiro de negócios de Barnun, Phillip Carlyle (Zac Efron).

O foco é realmente em Barton, mas apesar de toda energia e paixão que Jackman dedica ao personagem sua jornada não é fiel (creio que esta nunca fora a intenção), muito menos profunda, inspiradora ou bem desenvolvida. As tentações e erros do personagens são previsíveis, e as consequências de seus atos são brandas ou facilmente solucionadas. Saltos de tempo e montagens não nos deixam acompanhar a forma como o protagonista trabalha, como surgem e são desenvolvidas as ideias que criaram o conceito de entretenimento comercial. Perdemos o processo e consequentemente o interesse. O resultado é nos descobrirmos mais interessados nas histórias secundárias que infelizmente não tem tanto espaço.

Nova York, cidade em que se passa a história não tem espaço na produção. Paisagens em computação gráfica aumentam a sensação de que o protagonista não foi inspirado em um personagem real. Já o universo lúdico criado pela direção de arte é impecável. Extravagante e envolvente, atrai o olhar e serve bem aos deslumbrantes números musicais.

As boas músicas contemporâneas, inseridas em um contexto histórico a que não pertencem, poderiam enriquecer o debate sobre o que é arte, representado no filme na figura de um crítico. Mas a discussão é apenas mencionada e cai no lugar comum. Assim como o preconceito com o diferente, tema alardeado pela campanha publicitária do longa. Ao menos este último tem um número que se destaca. A empoderada "This Is Me", é o único momento em que realmente ouvimos a voz dos renegados e por isso empolga mais que os outros números.
"This is Me": Os coloridos e extravagantes renedados
De volta as belas canções a grande maioria é ricamente coreografada. Todos os números são deslumbrantes e consequentemente parecidos. Quando um deles difere do espetáculo logo se destaca. É o caso de "Never Enough", de Jenny Lind (Rebecca Ferguson, único membro do elenco dublado por uma cantora profissional), que acerta ao pausar o frenesi circense e focar em uma performance solo. Outra canção com potencial, mas sem o mesmo acerto de execução é "Rewrite the Stars". O elaborado número protagonizado por Efron e Zendaya, é plasticamente belo, mas a complexa coreografia nas alturas atrapalha o tom romântico que a cena deveria ter. Falta intimidade ao casal apaixonado.
"Never Enough": a clean e etérea elite

Falta também fluidez na inserção de alguns dos números. Repare como Barnun e Carlyle tem uma longa discussão para introduzir um número musical no bar que apenas repete todo o diálogo que já tiveram. Neste caso, porque não deixar o texto raso e previsível de lado e permitir que a música avance a história. A situação se repete, e infelizmente o texto falado não é tão brilhante quanto as músicas.

O Rei do Show está tão preocupado em ser um grande espetáculo musical que, assim como muitas coisas envolvidas com o showbiz, perde em essencia. Apesar de um elenco dedicado, boas intenções, belas direção de arte e música, falta alma sob a lona erguida por Jackman. Tão pouco o longa serve como biografia de P.T. Barnum. Ainda sim, funciona como musical escapista, com belas canções e números deslumbrantes. Um deleite para os olhos.

O Rei do Show (The Greatest Showman)
2017 - EUA - 95min
Musical, Drama, Briografia
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Jumanji: Bem-Vindo à Selva

É verdade que nossa atual era dos remakes e sequencias de Hollywood que visam meramente o lucro, são uma ameaça constante à clássicos e favoritos de infância. Jumanji: Bem-Vindo à Selva sequencia de Jumanji (1995), clássico da Sessão da Tarde com Robin Williams, recebeu desconfiança desde que fora anunciado. Felizmente, o projeto com Dwayne "The Rock" Johnson e Jack Black, consegue divertir e renovar a franquia sem agredir a memória dos fãs, e traz até alguns toques de nostalgia.

É 1996 quando outra pessoa encontra o tabuleiro de Jumanji, que é imediatamente é deixado de lado, incapaz de competir com os video-games. Para igualar a disputa o jogo mágico se transmuta em um game da década de 1990 (sim, o bom e velho cartucho). Em 2017, um grupo de adolescentes/estereótipos do high-school estadunidense, está em detenção quando encontra o velho game no porão da escola. Uma opção muito melhor que cumprir o castigo a molecada decide encarar uma partida e são sugados para dentro do jogo, se transformado em seus avatares.

O nerd Spencer assume a identidade do Dr. Smolder Bravestone (Dwayne Johnson). Fridge, astro do time de futebol americano é relegado ao papel do ajudante e biólogo de Bravestone, Moose Finbar (Kevin Hart). A garota inteligente com poucas habilidades sociais Martha, vira o cliché feminino em games Ruby Roundhouse (Karen Gillian). Enquanto a garota popular do colégio Ruby Roundhouse (Karen Gillian) assume a pele do cartógrafo Shelly Oberon (Jack Black). As regras são claras, a molecada tem que terminar o jogo para poder sair, e claro, eventualmente vão lidar com alguns dilemas dos estereótipos que representam no mundo real.

Apesar do personagem de Johnson ser claramente o "lider", todos em cena tem seus arcos e característica bem distintas. Os dilemas não são muito profundos ou originais, é verdade - e nem pretendiam ser, afinal isto é uma aventura escapista de verão - mas o tempo de tela dedicado à cada um é o ponto forte na criação da empatia com expectador. The Rock tem um grande carisma, mas está ciente de não um Robin Williams. Logo ao invés de tentar carregar o filme sozinho, ele cerca seu protagonista de um bom elenco.
Gillian (de Doctor Who e Guardiões da Galáxia) acerta no timing das piadas de sua personagem, muitas acertadamente relacionadas aos estereotipados personagens femininos em games. E Nick Jonas, não deixa sua persona popstar se sobrepor ao personagem. Mas é Jack Black quem rouba a cena interpretando uma adolescente, cheia dos exageros de sua geração. O ponto fraco fica por conta das repetitivas piadas de Kevin Hart, a maioria relacionadas ao seu "encolhimento" e diminuição de força. Nada que comprometa demais a comédia.

Assumidamente mais cômico que seu antecessor, assumindo um tipo de aventura mais parecido com os longas atuais, que com as aventuras da década de 90. Ainda sim, não faltam referências para agradar os fãs do filme original, e para reafirmar que se trata de uma sequencia, mesmo que completamente diferente. Também há espaço para referências à clássicos do fim do século passado como Indiana Jones e Clube dos Cinco.

Os efeitos visuais estão de volta, e parecem artificiais em algum momento. Não que isso seja um erro. a escolha por efeitos mais "caricatos" podem ser atribuídas ao fato de se tratar de um game de 1996, ou mesmo uma referência aos efeitos do Jumanji original, revolucionários para época,  hoje datados.

E por falar na estilo video-game da aventura, ela traz características clássicas dos jogos como os NPCs (personagens não jogáveis, mas com que o jogador precisa interagir para avançar). Além de um vilão com motivações fracas para disfarçar sua real função na narrativa, impulsionar os jogadores. Van Pelt está de volta, agora na pele de Bobby Cannavale (Jonathan Hyde, interpretava uma versão bastante diferente do vilão em 1995).

Curiosamente Jumanji: Bem-Vindo à Selva é uma divertida e boa adaptação/paródia de um video-game, que não existe. Perdeu o charme do jogo de tabuleiro é verdade, mas ainda é leve, despretensioso e divertido, não ofende a inteligência do expectador muito menos sua memória afetiva. Uma grata surpresa neste universo de remakes e sequencias muitas vezes de qualidade duvidosa.

Jumanji: Bem-Vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle)
2017 - EUA - 119min
Aventura/Comédia


P.s.: Eu ainda jogava jogos de tabuleiro em 1996. E ainda toparia uma partida do Jumanji tradicional hoje em dia. Alguém se habilita?

Gosta do Jumanji original? Leia este especial sobre o filme que fizemos no blog parceiro DVD, Sofá e Pipoca.
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Os filmes de Natal da Netflix

Ok, talvez essa dica seja um desserviço, já que as pérolas a seguir não são as mais "brilhantes" no catálogo do serviço de streaming. Tudo depende de como você vai assistir a estes filmes, que você provavelmente já assistiu antes, em uma versão diferente.

Sabe aquele filme que você pega por acaso zapeando em uma tarde modorrenta qualquer? Claramente feito para a TV, com roteiro previsível e produção meia-boca, mas que mesmo assim você acaba assistindo. Seja pela familiaridade, porque ele exige pouco esforço para compreender, ou pela certeza do final feliz, você embarca naquela história bobinha, termina a sessão feliz, e até um pouquinho envergonhado por ter se entretido com algo tão banal. Pois então, assim são Cartão de Natal e O Príncipe do Natal, filmes com temática natalina lançados neste fim de ano pela Netflix.

Cartão de Natal


História típica de uma pessoa abastada, que precisa aprender a dar valor ao que realmente é importante na vida, e recebe esta lição quase como um milagre de Natal. O "Scrooge da vez" é a herdeira baladeira Ellen Langford (Eliza Taylor, da série The 100), que para provar para o pai que é capaz de comandar os negócios da família aceita o desafio de uma cumprir uma tarefa simples: entregar uma encomenda em mãos na pequena cidade natal da família, anonimamente e sem privilégios, apenas com suas passagens e cem dólares.

É claro, que ao chegar lá a tarefa é mais complicada que apenas deixar um pacote. A moça fica presa na cidadezinha por algum tempo, conhece as pessoas, aprende a se importar com elas, adquire novas habilidades, ajuda o próximo e até descola um pretendente. Tudo em menos de uma semana, e a tempo de receber um presente do Papai Noel! Andie MacDowell é o rosto familiar do elenco.


Cartão de Natal (Christmas Inheritance)
EUA - 2017 - Romance
104min


O próximo longa chamou atenção devido à uma polêmica criada pela própria Netflix que fez uma piada infeliz em seu twitter sobre a frequência com que seus assinantes assistiram ao filme.
"Para as 53 pessoas que assistiram O Príncipe do Natal diariamente nos últimos 18 dias; quem machucou vocês?"

A polêmica ficou por conta do mau uso das estatísticas geradas pelos hábitos dos usuários, que mesmo anônimos se sentiram ofendidos com a piada. Mas vamos ao filme:

O Príncipe do Natal


Amber (Rose McIver de IZombie), é uma revisora em uma revista esperando a grande chance de se tornar uma "jornalista de verdade". A oportunidade surge quando uma pauta em pleno natal é renegada pelos tais "jornalistas de verdade", e a moça é mandada para cobrir a coroação de um jovem príncipe instável (Ben Lamb) que dá sinais de querer rejeitar a coroa. Desesperada para alavancar a carreira a moça se infiltra no palácio, para descobrir os podres da realeza.

Em seu período entre a família real, que aparentemente não checa as referências de seus funcionários, começa a rever seus objetivos. Faz amizade com princesinha (Honor Kneafsey), que apesar de ser a pessoa mais inteligente em cena não está na linha de sucessão por ser mulher (Oi? Ainda nessa Neflix?), chama atenção, e posteriormente recebe admiração, de quase todos por ser diferente, e constrói um relacionamento com o príncipe que "surpreendentemente" não é quem aparenta ser. E depois ela estraga tudo, antes do final feliz, é claro!

O Príncipe do Natal (A Christmas Prince)
EUA - 2017 - 92min
Romance


A crítica para ambos filmes seria bastante parecida e já foi descrita no segundo parágrafo deste texto. A única diferença fica por conta de algumas belas locações e alguns minutos à menos de projeção que tornam o O Príncipe do Natal mais agradável que Cartão de Natal.

Os produções originais de natal da Netflix não são exatamente bons filmes. Mas acho que o estilo meloso e piegas seja proposital. Afinal quem nunca passou uma tarde preguiçosa no sofá, digerindo a comilança das festas de fim de ano, enquanto assistia à um filme destes do qual nem lembramos o nome que atire a primeira rabanada.

O Príncipe do Natal e Cartão de Natal são parecem pensados exatamente para o que entregam. Filmes extremamente fáceis de digerir no pós ceia. Você não vai lembrar deles depois das festas, mas ao menos são mais interessantes (mas não muito) que a lareira virtual.
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Comic Con Experience: A Experiência - 2017

Frequentando a Comic Con Experience desde seu primeiro ano, em 2014, me habituei a fazer sempre três posts dedicados ao evento: os painéis, a feira e a experiência. Este ano, resolvi me ater apenas ao último e mais abrangente. Primeiro porque esta edição foi a que menos participei de painéis, segundo porque a feira esta tão grande (oficialmente a maior do mundo) que um texto detalhando os standes seria gigantesco. E principalmente porque este ano foi o primeiro em que minha experiência tomou rumos incomuns. Foi por essa diferença também, que atrasei propositalmente este post. Esperei a poeira baixar e as idéias se assentarem antes de escrever.
Domingo, a pilha já estava quase no fim....
Em 2016, sai do evento feliz não apenas pelo seu crescimento, mas também por parecer que a organização estava preparada para isso. Este ano a convenção cresceu novamente, e a tal preparação caiu por terra. Parece mesmo que falta um cálculo comparando espaço no pavilhão, tempo das atividades e número de pessoas. 

Os estandes foram os que mais subestimaram o público. Alguns com atividades muito demoradas, que criavam filas de horas (a nossa mais longa foi 3h30, mas ouvimos relatos de quem ficara na espera por 5h), e muitos brindes que acabavam cedo, deixando os participantes que esperaram sem nenhuma recompensa. E claro, não tinha espaço para essas filas enormes dentro dos estandes, com isso e lá se fora boa parte do espaço do corredor. Funcionário despreparado e mal humorado? Teve também, felizmente estes eram a minoria. 

Só 3h30 nessa fila para conseguir a cobiçada sacola da Warner!

Houve também empresa exigindo postagem em redes sociais com hashtag própria para participar das atividades ou ganhar os brindes. Mesmo sendo alertados a cada 2 visitantes de que nem todas as operadoras tem sinal no pavilhão. - E se você não usa redes sociais? Não tem plano de internet? Ou smartphone? - Uma estratégia de marketing preconceituosa, exclusiva, compulsória e nada esperta considerando que bastava apagar a postagem assim que saísse do estande. O que fiz com todos aqueles que exigiam a postagem. 

Fica dica empresas: divulga a hashtag, sugere, mas não obriga. A galera vai usar naturalmente, vai manter (mantive alguns, olha lá no meu insta), e não vai sair com má impressão da sua marca.

Nos fins de semana, teve que não escapasse de ficar sem mesa nas praças de alimentação. As opções para comer eram muitas, variadas e espalhadas por toda a feira. Já os preços, são aqueles que já estamos acostumados em eventos fechados no Brasil, leia-se: salgados! Salvam-se aqui os banheiros e bebedouros, sempre limpos e funcionando, tinha fila sim, (lógico!) mas andava rápido. Ponto para a manutenção do São Paulo Expo. 

O deslocamento gratuito do metrô para o pavilhão, e principalmente a volta para casa (inclua aqui, os transporte particular), continuam um desafio, marcado por engarrafamentos gigantescos e confusão. Muita gente ficou horas na fila após o fechamento do pavilhão, nós andamos - muito!
Auditório Cinemark
Apesar do que muita gente vai dizer, os muitos cancelamentos em cima da hora do Auditório Cinemark não foram o ponto mais decepcionante, mas sim o fato de que o espaço praticamente não cresceu para acompanhar o público. A programação do dia também não ajudava a circulação do público. A colocação dos pop-stars no fim ou meio do dia, prendia os assentos de uma platéia que não necessariamente estava interessada nas atrações anteriores. O resultado, foram quadrinistas sendo recebidos por uma platéia apática, ou um esvaziamento assustador quando um ou outro astro saia no meio do dia. Faltou equilíbrio!

Outra novidade foi começar mais tarde e terminar mais cedo. Não, isso não é bom! Principalmente se você tem ingresso para apenas um dia. Basta fazer as contas: duas horas de evento a menos por dia, e atrações com  três horas de fila, se você tem um dia só tem que escolher: participar de um par de atividades, ou ver (literalmente só olhar) a feira. Fiquei lá pelos quatro dias, só um deles presa em painéis e saí com a sensação de que vi pouca coisa. 

Abertura tão tarde que o estacionamento não era suficiente
para todo mundo. O resultado? Filas no caminho!
Calma, não comprei isso tudo! Tem brindes
e compras das coleguinhas
Há quem diga que a mudança de horários foi para acompanhar o privilégio dos pacotes Epic e Full, que poderiam entrar uma hora antes dos demais. Se for verdade a coisa fica mais complicada. Oferecer um benefício a eles é uma coisa, tirar uma hora de evento de quem pagou menos para favorecer quem tem mais dinheiro é outra. 

Posso ter visto pouco, em compensação o que comprei.... "Shopping Nerd", sim ouvi esta expressão este ano. E mais de uma vez. Nada contra vender artigos especializados para o público alvo na feira, aliais, queremos isso. Mas não é só isso, viu? Tem que ter atividade, tem que ter experiência e se possível um descontinho. Do contrário, não vejo motivo para sair de casa, pagar ingresso e passar horas na fila para adquirir produtos que posso comprar online (O Artist's "Alley não se aplica nessa regra, claro!)

Odeio fazer um texto tão crítico, mas esta foi sim a pior edição da CCXP. Tiveram, coisas boas, mas estas foram eclipsadas pelo stress e cansaço provocado pelos erros. Momento épico? Não vivi nenhum esse ano! Só espero que os organizadores vejam estas críticas de forma construtiva e corrijam estes erros. Porque ainda adoro o evento e quero vê-lo melhorar, para voltar a ter a empolgação de comprar no primeiro lote, sem badalação, sem mega atrações confirmadas só na expectativa de compartilhar aquele espírito de comunidade que encontrei em 2014. Saí do evento me questionando se valeria a pena retornar em 2018, e não gostei da sensação. 
Pouquinha gente (#SóQueNão) no dia mais tranquilo - quinta-feira!
Sobre a Comic Con Experience 2017, a "maior do mundo": os preços aumentaram, o público aumentou, a espera e o stress também, já o tempo diminuiu e a experiencia se empobreceu. A proposta inicial de se viver uma experiência épica se perdeu. 

É muito legal ter o título de maior do mundo, mas que tal ser "A Melhor"?

Leia também detalhes sobre as edições anteriores da Comic Con Experience.
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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

The Walking Dead - 8ª temporada (parte 1)

A primeira metade da temporada de The Walking Dead bem que poderia ter apenas três episódios: o de início que situa todos, o final climático com gancho para o retorno no ano seguinte e um único episódio no meio para condensar os acontecimento dos outros seis capítulos. Ao menos este ano, a metade de 2017 da 8ª temporada parece mais focada em seu desfecho, embora a jornada até ele não esteja livre dos tradicionais altos e baixos.

Alexandria, O Reino, e Hilltop colocam em prática seu plano para derrotar os Salvadores logo no primeiro episódio, sem enrolações ou explicações para o expectador. Tentar compreender o plano conforme ele se desenrola, em meio à cenas de ação por vezes exageradas e desenfreadas, é uma das partes interessantes desta temporada. Entretanto, no meio desta "luta", existem humanos com suas falhas obsessões e paixões.

É principalmente nessas pausas para desenvolver estes interesses paralelos que a série encontra seus extremos. Ora arrasta a narrativa para abordar que o programa já discutiu exaustivamente (Jesus e Morgan brigando pela vida dos reféns). Ora desenvolve arcos de personagens que não são exatamente os de maior interesse do público. Curiosamente o odiado padre Gabriel ganhou um caminho surpreendente. Já o inexpressivo Aaron começa a ganhar importância após uma morte sem grande impacto na audiência. Enquanto Eugene arrasta seu conflito interno sobre qual lado escolher.

No meio de tudo isso, os protagonistas perdem espaço, não pelo excesso de personagens, mas pela falta de equilíbrio para abordar cada um deles. O mega-vilão Negan pouco aparece, mesmo com a incrível habilidade de seu intérprete Jeffrey Dean Morgan de roubar a cena.

Maggie tem seu amadurecimento como líder desenvolvido em poucas, porém eficientes cenas que teriam melhor efeito se não estivessem tão espalhadas ao longo dos oito episódios. É Ezekiel quem ganha um um desenvolvimento mais focado. O Rei otimista, é relembrado à força da crueldade desse mundo, e precisa redescobrir os motivos por que se tornou líder.

E o que dizer de Rosita, Michone e Carl, deixados em casa literalmente, por grande parte desta mid-season. Enquanto o sumiço de Danai Gurira é claramente justificado pela sua atarefada agenda que incluía as gravações de Pantera Negra, a ausência de Chandler Riggs é mais preocupante diante do desfecho de seu personagem no excelente, porém muito escuro mid-season-finale. Seria muito mais interessante ver este Carl mais maduro ao longo dos episódios do que apenas neste último.

Com metade da sua "equipe" em casa Alexandria, resta à Rick seguir seu plano, que por vezes soa, e é, sem pé nem cabeça (porque contar com o pessoal do Lixão novamente?). Além de lidar com os companheiros que saíram em missão, alguns deles tão afetados por Negan, que não demoram a causar conflitos internos e colocar o plano em risco.

Com uma reviravolta surpreendente em seus últimos momentos, e um flashfoward/sonho/alucinação(???) mal explicado, a oitava temporada de The Walking Dead até aumenta a quantidade de ação, mas entrega o mesmo ritmo narrativo oscilante. Mantendo assim, a mais longa jornada de todas intacta: a dos dedicados fãs à espera de uma temporada equilibrada. Enquanto isso, não esqueça, corte a cabeça ou destrua o cérebro!

The Walking Dead retorna apenas em fevereiro de 2018. No Brasil a série é exibida pelo canal Fox. 

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sábado, 16 de dezembro de 2017

Star Wars - Os Últimos Jedi

Mesmo bem desenvolvido e executado O Despertar da Força não ficou livre das críticas, principalmente por sua fórmula que reutiliza o caminho de Uma Nova Esperança. Logo, é inevitável comparar Os Últimos Jedi com seu "equivalente" na trilogia original, O Império Contra-Ataca. Curiosa, e surpreendentemente, as semelhanças entre os "filmes do meio" são poucas, a principal delas é seu tom mais sombrio e urgente.

O episódio VIII se inicia imediatamente após o final da aventura anterior. Apesar de destruir a gigantesca arma da Primeira Ordem, a resistência continua em desvantagem, e fuga constante. Na luta desesperada pela sobrevivência Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Isaac), embarcam cada em missões próprias. Enquanto Rey (Daisy Ridley) tenta persuadir Luke (Mark Hamill) à participar da batalha.

Separar um protagonista dos demais, levando a história a saltar de de um arco para outro, é a outra semelhança evidente com o episódio V. Mas as comparações param por aí, já que o filme dirigido por Rian Johnson decide adotar a quebra de expectativa a partir da primeira sequência. Sim, ele tradicionalmente joga o expectador diretamente em uma batalha, mas em uma na qual a resistência está em grande desvantagem, muito diferente da pequena vitória em que os deixamos. E o que dizer da reação de Luke, à entrega do sabre por Rey? Nada, não vou estragar sua experiência, basta dizer que o rapaz de Tatooine está longe de ser o grande mestre Jedi das lendas que o cercam.

Do outro lado do universo Poe, Finn e Rose (Kelly Marie Tran), cometem os erros típicos da urgência da juventude, batendo de frente com a experiência e a parcimônia de seus sábios líderes, a General Leia (Carrie Fisher) e a Vice Almirante Amilyn Holdo (Laura Dern). Quem também encara seu superior são o General Hux (Domhnall Gleenson) e claro, Kylo Ren (Adam Driver). Enquanto o primeiro falha em manter a postura e eficiência de sua patente, mas se recusa a desistir, gerando boas cenas cômicas. O jovem Solo continua em conflito com os lados da força.

De todas as muitas jornadas que Os Últimos Jedi  se propõe a abordar apenas a de Finn, tem momentos duvidosos. Sem usar a Força, saber pilotar ou grandes habilidades, ou mesmo posto de estratégia ou liderança, o ex-stormtrooper parece meio perdido na batalha. E mesmo ganhando uma excelente companheira (Rose é um dos melhores novos personagens) poderia ter sua jornada encurtada. Ainda sim, a aventura da dupla é eficiente para mostrar um lado novo das guerras estelares: não existe apenas, a luta entre o bem e o mal. Como toda guerra, há quem lucre com ela e consequentemente o interesse em mantê-la.

É também na sequencia de Finn e Rose que estão a maioria das novas criaturas e até um estilo de vida e planeta novos. O universo é infinito e em constante expansão lembra? O realismo deste admirável universo novo é garantido pela boa mistura de efeitos práticos e CG. Maquiagem, fantoches e animatrônicos povoam a tela, a computação gráfica complementa tudo isso.

Tecnicamente perfeito, como era esperado, o filme também é visualmente deslumbrante. Pode ser facilmente considerado o mais belo da saga, com inúmeros momentos plasticamente icônicos. A escolha das cores predominantes (vermlho, preto e branco), especialmente nos momentos de clímax não é gratuita. Além de linda, a paleta aumenta gradualmente a tensão e urgência da guerra.

Desperdício de verdade fica por conta das participações da Capitã Phasma (Gwendoline Christie) e do Líder Supremo Snoke (Andy Serkins). Levemente apresentados em O Despertar da Força não cumprem a promessa de mostrar a quê vieram. O caso de Snoke é ainda mais preocupante, já que sua relação e influência sobre Kylo Ren, ou mesmo sua origem permanecem uma incógnita. Mesmo que estas histórias sejam exploradas no universo expandido, não deixa de ser um desperdício de dois bons atores, e uma falha com aqueles que só acompanham a franquia pela tela grande. O filme tem que funcionar por conta própria.

De volta a quem tem arcos bem aproveitados, é a relação entre Rey, Luke e Kylo Ren que enriquece a Força. Nada é  mais tão simples, bem e mal, luz e trevas, a Força tem tons de cinza, e qualquer um pode pender para um dos lados, mesmo com a melhor das intenções, tudo depende de seu passado, obstáculos e escolhas.

Já Leia, ganha uma atenção especial proposital e acidentalmente, uma vez que sabemos que é o último trabalho da atriz, e fica difícil não se emocionar cada vez que Carrie Fisher aparece em cena. Se houve muitas mudanças após a morte da atriz é difícil notar, seu arco que envolve o amadurecimento de Poe é fluido e até empodera um pouco mais nossa Princesa nos mistérios da Força. E já que estamos falando de despedida este também é o último filme de Erik Bauersfield na franquia. O ator que faz a voz do Almirante Ackbar ("It's a trap!"), também morreu em 2016.

Easter eggs e fan-services também não faltam, alegram os fãs sem alienar os não iniciados. Alguns até geram bons momentos cômicos. E por falar em humor, este não falta e está bem inserido, mesmo nesta trama mais urgente e sombria.

Star Wars - Os Últimos Jedi, é sobre conflito de gerações, aprender com os erros e se fazer especial ou importante por conta própria (repara nas origens dos novos protagonistas, uma órfã catadora de lixo, um piloto, um stormtrooper faxineiro, e não esqueçamos Rose que cuida da tubulação). O longa mostra novos ângulos da Força e motivações para a guerra, além de começar a passagem definitiva do bastão para as novas gerações. 

É o filme mais "diferentão" da saga, mas completamente integrado e coerente a ela (inclua uma ajuda da excelente trilha de John Williams aqui). Amplia o já gigantesco universo, e oferece novos rumos à ele. E claro, também é divertido, empolgante, emocionante e tudo mais que puder te fazer sair satisfeito da sala, após 2h30 que passam mais rápido que um salto no hiperespaço!

Star Wars - Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi)
EUA - 2017 - Star Wars: The Last Jedi
Fantasia/Ficção Cientifica


Leia mais sobre Star Wars, relembre a crítica de O Despertar da Força e Rogue One
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Turma da Mônica - Lições

A turminha está um pouco mais velha nesta nova aventura criada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi. E como em todo processo de crescimento, cometem erros, lidam com suas consequências e aprendem ao longo do processo.

Depois de "fugir de casa" para encontrar Floquinho em Laços. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali se metem em encrenca na escola. Além do castigo, grandes mudanças vem como consequência deste erro. Os quatro terão que lidar com essas "novidades" sozinhos, cada um com desafios diferentes.

É quando a molecada tem que enfrentar o novo que os Cafaggi, tem a oportunidade de abordar de forma sutil, porém contundentes, temas como, bullying, conflitos de gerações, medos, e claro, a solidão. Sair da segurança de seu grupo de amigos e conhecer pessoas novas pode ser assustador em qualquer idade.  Se na primeira aventura, o quarteto reforçou os Laços, que sustentam sua amizade. Em Lições eles vão descobrir se podem mantê-los apesar das circunstâncias.

Cada desafio imposto a cada um dos personagens, no entanto apenas reforçam a essência e personalidade que crescemos adorando, a gulodice da Magali, os problemas de fala de Cebolinha, a fobia de água do Cascão e a força da Mônica.

E assim que saem pelo mundo, a turminha o descobre maior, e com isso novos personagens do universo mauriciano tem a chance de aparecer. Dudu, Quizinho, Xaveco, Tonhão e até as meninas do bairro das Pintagueiras. Outras referências dentro do próprio universo ficam por conta do Bilu, Capitão Pitoco e de Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta. Esta última aventura, que já foi peça, quadrinho e animação ganha uma fofa homenagem. Seguindo a tendencia da obra anterior as alusões não ficam restrita às criações do MSP, trazendo elementos da cultura pop para as páginas. Estas, vou deixar por sua conta descobrir.

Assim como os personagens, o trabalho de Vitor e Lu Cafaggi também está evoluindo e amadurecendo. A dupla conseguiu aprimorar o traço e inserir mais detalhes, nem descaracterizar o belo visual criado anteriormente. O sentimento não é apenas de continuidade, mas de evolução da arte e da narrativa. 

Passado majoritariamente de dia, Lições é mais colorido que o noturno Laços, mas não chega a trazer grandes contrastes ou cores vibrantes. Os tons médios e a escolha de cores acompanham o tom melancólico da narrativa completando a unicidade da obra. Nacolorização, os irmãos trabalharam com Paula Markiewicz.

Assim como no volume anterior, a grafic novel termina com um espaço dedicado à criação. Revelando de forma rápida como a Grafic Novel foi criada, desde a escolha dos novos persoangens, até as referências. A novidade aqui, são ilustrações que continuam a história "depois que ela acaba".

Lições é como a turma que ocupa suas páginas, cheio de personalidade e corajoso para enfrentar novos caminhos. Ambos estão amadurecendo, sem perder sua essência e ternura.

Turma da Mônica - Laços
Vitor Cafaggi, Lu Cafaggi
Panini Comics

Parte do projeto Graphic MSP Lições é o segundo volume de uma trilogia que os irmãos Vitor e Lu Cafaggi iniciaram em Laços e terminaram em Lembranças lançada durante a CCXP 2017.

Leia as cíticas de Turma da Mônica - Laços e Bidu: Caminhos, outra HQ do projeto.
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