terça-feira, 20 de junho de 2017

O Círculo

Algumas décadas atrás encararíamos O Círculo apenas como uma ficção científica futurista. No mundo extremamente conectado de hoje, entretanto, a trama do filme parece ser apenas o próximo passo para nossas relações regidas pelas redes sociais.

Mae Holland (Emma Watson), é uma jovem que leva uma vida comum. O que inclui um emprego ruim que não supre as necessidades de sua família. Mas ela tem a grande chance de melhorar as condições de vida da sua família quando sua amiga Annie (Karen Gillan, de Doctor Who e Guardiões da Galáxia), lhe consegue uma entrevista na melhor empresa do mundo. O Círculo, é uma empresa de tecnologia, cheia de jovens brilhantes e empolgados. Tem excelentes condições de trabalho, ambiente que estimula o convívio e a criatividade, proporciona entretenimento e possibilidades de interação entre seus membros funcionários. Estes são semanalmente inspirados pelas palestras de um de seus carismáticos e "endeusados" criadores, Bailey (Tom Hanks). Tudo que a empresa pede de você é que, tenha um bom desempenho e eventualmente socialize através de sua própria tecnologia.

Não demora muito para Mae descobrir que a "socialização" é mais que uma sugestão. Ter sua vida compartilhada e observada por todo o mundo, todo o tempo são os parâmetros em que a empresa se sustenta. Imposições que todos acabam aceitando por um motivo ou outro. No caso da jovem, a intenção é melhorar as condições de saúde do pai.

Voltado claramente para o público jovem, mas realista para qualquer pessoa dos dias de hoje, a trama é uma crítica cheia de nuances sobre nossos relação com a tecnologia de informação. Nossos, relacionamentos virtuais - e conseqüentemente a mudança os reais -, auto-exposição na mídia, a necessidade de saber e compartilhar tudo instantaneamente, além dos motivos que nos levam a participar desta sociedade virtual, bem como a forma que nos comportamos por causa dela. A crença de que só nos comportamos melhor porque estamos sendo vigiados, e isso criaria uma sociedade mais justa é alarmante. Mas não tanto quanto o fato de que sempre existirão aqueles acima de qualquer sistema.

Assistir como diferentes pessoas reagem a essa "meritocracia midiática", é uma das partes mais interessantes. Há quem fuja de tudo, mas a maioria abraça a loucura em diferentes níveis, e quem acorde para os malefícios disso cedo ou tarde. Acima de tudo isso, Bailey é quase uma versão messiânica de Steve Jobs, moldando seus seguidores e endossando suas escolhas, sempre com a sensação de que há algo podre sob a superfície. Nuances que Hanks tira de letra, a ponto de ser difícil imaginar outra escalação.

Quem também se destaca é Gillan e sua jovem completamente inserida na sociedade de O Círculo. John Boyega (Star Wars - O despertar da Força), tem um personagem que deveria ter maior importância na trama, mas tem pouco espaço no roteiro que prefere enfatizar a experiência da protagonista. Emma Watson entrega o que o papel precisa, mas não o melhor que ele poderia ser. Faltam uma dose de deslumbramento, e ambiguidade na jovem Mae que poderiam tornar sua jornada mais impactante. Ellar Coltrane (Boyhood - da infância à juventude), Patton Oswalt, Glenne Headly e Bill Paxton em seu último filme, completam o elenco.


Embora tenha muitos conceitos para apresentar,  O Círculo se passa em uma realidade bem próxima à nossa, por isso é meio cansativo o ritmo lento que a produção escolhe para apresentar este universo. Quando finalmente "engrena", o filme precisa trabalhar e resolver muitos conceitos em pouco tempo, o desenvolvimento melhora com o ritmo, mas o desfecho acaba soando incompleto. Muitas questões ficam apenas na sugestão e a reação imediata da maioria será a pergunta: Ué acabou?!

Por outro lado, essas sugestões deixam para a discussão pós-filme, excelentes questões de como aquela sociedade funcionará a partir de então. Além, dos muitos questionamentos e críticas levantados durante a projeção. Este é provavelmente um dos maiores méritos do longa, abordar de forma simples e acessível muitos temas pertinentes e relativamente novos a nossa sociedade.

Talvez esta seja a real intenção da produção, e do livro homônimo de Dave Eggers que a inspirou. Gerar discussão, fazer o expectador repensar a forma que vive e se relaciona com as pessoas e a tecnologia. Reflexão mais que necessária, que poucas produções conseguiram fazer de forma eficiente. Assim como alguns episódios da série Black Mirror e o filme NerveO Círculo é soco na estômago de quem apenas existe no mundo virtual, sem pensar muito sobre ele. Com a diferença que um filme estrelado por Tom Hanks e Emma Watson, pode colocar muito mais gente para rever seus conceitos.

O Círculo (The Circle)
2017 - Nacionalidades EUA, Emirados Árabes Unidos - 110min
Suspense, Drama, Ficção-cientifica
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Once Upon a Time - 6ª temporada

Não é de hoje que afirmo que é hora de se despedir de Once Upon a Time. De fato, foi assim que terminei a crítica do 5º ano da série. Então a sexta e mais recente temporada, até ensaia um desfecho, mas não o faz de verdade. A série vai voltar para mais um ano, um pouquinho diferente, mas estou adiantando as coisas.

Era Uma Vez - nome que recebeu quando chegou à TV aberta brasileira - originalmente contava o que aconteceu depois do "felizes para sempre" da Branca de Neve, com a rainha má lançando uma maldição sobre todos os moradores da Floresta Encantada.  Em cinco anos de aventura o cenário mudou, a Rainha se redimiu, a família cresceu e eles conheceram muitas terras e personagens novos dos mais distintos contos e histórias. Sempre mantendo a família de Branca e Encantado como centro da trama.

Ao chegar no sexto ano, a série tinha uma mitologia para lá de complexa e tantos personagens que a maioria some e reaparece conforme a necessidade ou disponibilidade de seus intérpretes. Esta temporada prometia então refrescar a linguagem, adotando retornar ao arco único para a temporada inteira, e não dois distintos, dividindo a temporada ao meio como fez nos últimos anos. Mas o resultado não foi dos melhores.

Terra das Histórias Não Contadas, Mr. Hyde e Dr. Jekyll, Alladin e Jasmin, o lado malvado da Rainha Má Regina, Fada Negra entre outros foram convocados para criar o que seria uma grande aventura única. Mas, acabou virando uma série de episódios interligados, com personagens espalhados e ocupados com diferentes subtramas, e um vai-e-vem que não necessariamente faz a história evoluir, transformando um universo já complexo em um mundo completamente confuso. Isso antes de assumir qual destes problemas seriam a grande batalha da season finale, para qual os personagem passam mais tempo enrolando se preparando, que de fato enfrentando.
Jasmim, Aladim e Ariel passando só para complicar mais a trama, já rocambolesca!
Soluções preguiçosas - o beijo do amor verdadeiro agora cura até a morte? - tentam soar como cíclicas, mas são repetitivas e tiram o "peso" dos momentos que foram usadas adequadamente. Além disso, agora todos são "redimíveis", bonzinhos incompreendidos, exceto é claro o grande vilão. Enquanto Emma, a salvadora é "endeusada" (duvida confere a referencia à Santa Ceia de DaVinci no último episódio). Simplificação de personagens e atalhos narrativos que nem de longe lembram a série criativa que fora em sua estreia.

Então você fica animado, ao pensar que ao menos eles perceberam que as opções estão esgotadas e parecem finalizar a história. Apenas, para descobrir segundos mais tarde que na verdade se trata de um reboot, um novo livro e uma nova criança precisam fazer alguém acreditar que o mundo de contos de fada é real, são apresentados como gancho para a sétima temporada já confirmada. A sensação de ser ludibriado é inevitável. Os criadores não sabem como encerrar, ou pior não querem se desfazer de sua galinha dos ovos de ouro. Enquanto isso a qualidade cai. E parece que o elenco também sentiu isso, já que grande parte se despediu da série, embora participações especiais não estejam descartadas pelos produtores.

Particularmente, prefiro abraçar o este quase final, já muito desgastado e enfraquecido oferecido por esta mais recente temporada. Deixar a série enquanto os bons momentos ainda prevalecem sobre os ruins. Mas, desejo boa sorte para quem resolver ficar.
O casório saiu, mas o "Felizes para Sempre" tá difícil de acontecer!
Personagens perdidos ou esquecidos, elenco desfalcado, soluções fáceis. O sexto ano de Once Upon a Time, deixou um gostinho ruim na memória de quem acompanha a série desde o início. E um caminho mais complicado para os expectadores da próxima temporada. Para quem ainda pensa em se aventurar por estes contos de fadas, recomendo as duas primeiras temporadas. É o suficiente!

Once Upon a Time é exibida no Brasil pelo canal Sony, suas cinco primeiras temporadas estão disponíveis na Netflix. Na Record recebeu o título nacional de "Era Uma Vez". Leia mais sobre Once Upon a Time.
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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Orange is the New Black - 5ª temporada

Por mais que tenha alguns problemas de ritmo, é indiscutível que a quarta temporada de Orange is the New Black é a mais densa, interessante e urgente desde a estreia da série da Netflix. Bem como, seu clímax criou o mais aflitivo cliffhanger que se podia imaginar. Como superar a expectativa alimentada durante um ano inteiro, sob uma eminente rebelião causada pela morte de uma personagem querida? Seguir em frente, sem medo de arriscar.

E a primeira escolha arriscada foi situar toda a quinta temporada da série durante a rebelião, um período de cerca de 72 horas apenas. Um desafio de continuidade e ritmo. Para isso assumiram de vez que Piper (Taylor Schilling) não é, nem precisa ser, uma protagonista solo. Nem mesmo estar envolvida, ou presente quando coisas importantes acontecem. Deixando o protagonismo para as outras personagens bem construídas ao longo dos anos anteriores.

Dessa vez a bola ficou com as "Latinas", já que Dayanara (Dascha Polanco) que terminou com a arma e com o cliffhanger nas maos no ano anterior. E as "Negras", grupo do qual fazia parte Poussey (Samira Wiley) cuja morte causada por um guarda foi o estopim para a revolta.

O núcleo latino divide bem as atenções entre várias personagens, com foco em Gloria (Selenis Leyva), Maria (Jessica Pimentel) e Dayanara. Cada uma tentando resolver seus dilemas e alcançar seus interesses em meio ao caos da rebelião. Enquanto Taystee (Danielle Brooks) encabeça o grupo das negras, assumindo o papel de melhor amiga de luto em busca por justiça na primeira metade da temporada, e se tornando uma articuladora em prol de todas mais para o final da trama. Sempre acompanhada de Cindy (Adrienne C. Moore), Janae (Vicky Jeudy) e Alison (Amanda Stephen), estas duas ultimas protagonistas de alguns dos flashbacks mais interessantes deste ano.

Seja nestes flashbacks, ou em discursos diretos, a série continua à fazer críticas a sociedade. Em alguns momentos falando de velhos e conhecidos problemas como discriminação, abuso de poder, impunidade, condições sub-humanas. Em outros pontuando casos reais de mortes causadas por policiais imprudentes nos estados unidos.

Red (Kate Mulgrew) e Frieda (Dale Soules), também ganham novos backgrounds. Assim como o "guarda malvado" Piscatella (Brad William Henke), que se revela muito mais problemático e complexo que detentas e expectadores poderiam imaginar. Entre os que perderam espaço, Sophia Burset aparece cada vez menos, provavelmente por causa da agenda ocupada de sua intérprete, Laverne Cox. Já Suzane "Crazy Eyes" (Uzo Aduba) parece propositalmente apagada nos primeiros episódios, mas volta a roubar a cena no a partir da metade da temporada.

Enquanto latinas e negras tocam a rebelião. Piper e Vause (Laura Prepon)brincam de casinha, literalmente. A dupla vira o "casal da vez", com a loira se envolvendo vez ou outra nos assuntos da prisão apenas para marcar presença. Brook (Kimiko Glenn) precisa lidar com o luto por sua namorada. Enquanto as outras detentas conhecidas lidam com suas neuras, dilemas e objetivos. Entre os guardas além de Piscatella, apenas Joe Caputo (Nick Sandow), tem o que fazer. Os mais atentos, vão perceber que embora ele seja completamente incompetente, o administrador realmente conhece a prisão, suas detentas e até se importa com elas.

Mas não é só de drama, engajamento e ativismo que vivem as detentas de Litchfield. A série tem uma tradição de tratar assuntos com bom humor. Parte do alívio cômico fica por conta das drogadas sem noção Leanne (Emma Myles) e Angie (Julie Lake), a grande bola fora da temporada. Embora consigam aumentar o caos em alguns momentos, o tempo dedicado à dupla parece arrastado e suas ações não levam à lugar algum, criando momento dispensáveis. A outra dupla responsável pelos bons momentos formada por Flaca (Jackie Cruz) e Maritza (Diane Guerrero) funciona muito melhor. Carismáticas e irresponsáveis o ship “Flaritza”, ainda encontra espaço para fazer uma crítica à exposição na internet, enquanto diverte com seu canal no YouTube.


Tudo isso, em cerca de três dias de muita incerteza, loucura e negociações. Culminando novamente em um clímax que afeta todos os personagens. O finale não é tão emotivo quanto a morte de Poussey, mas deixa mais um tenso grancho para a já confirmada sexta temporada.

Se o quarto ano de Orange is the New Black, foi o de sentimentos mais exacerbados. A quinta temporada é aquela que vai gerar grandes consequências para o próximo ano das detentas de Litchfield, isso se a penitenciária continuar existindo como conhecemos!

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segunda-feira, 12 de junho de 2017

The Flash - 3ª temporada

Muitas incógnitas cercavam a terceira temporada de The Flash. Muitas mesmo! Isso porquê o final em aberto do segundo ano da série, não deixavam gancho apenas para a série do velocista, mas para todo o multiverso com que ele teve contato. Barry voltou no tempo, salvou a mãe e consequentemente alterou o futuro.

As apostas de mudança iam desde alterações nas relações de Barry e Cia, até trazer personagens mortos e Arrow de volta e mudar a Supergirl para a "Terra 1". Surpreendentemente, a CW não aproveitou o reboot com o tempo para ajustar roteiros das séries vizinhas - Kara nem tomou conhecimento da mudança lá na "Terra 38". Na série do arqueiro, apenas Diggle deixou de ter uma filha, para ter um filho. Já na vida do velocista tudo mudou.

Mesmo mudando de ideia e restaurando o passado à sua forma original, Barry (Grant Gustin) encontra um mundo bem diferente do que deixou. E, claro, consertar ou lidar com as consequências imutáveis dos seus atos são os maiores desafios do herói. Personagens morreram, outros surgiram, alguns ganharam habilidades que não tinham e por aí vai... Depois de algumas brigas, no entanto, a "equipe Flash" volta a se entender e à combater a nova grande ameaça: Savitar... um velocista!
Se tem um monte de gente que faz a mesma coisa que você, talvez você não seja tão especial assim...
Sim, aparentemente a grande ameaça de um velocista é sempre outro velocista. Este vilão em questão, passa metade da temporada dando poderes à pessoas comuns. Até que os mocinhos descubram seu grande ato final,  matar Iris (Candice Patton). A partir daí ele meio que só espera ser caçado, porque veio do futuro e conhece todos os passos até a sua "vitória". Sim, os motivos de Savitar são pessoais e sua origem é confusa. O fato de toda sua história só ser revelada nos quatro últimos episódios, enquanto a disputa alcança seu clímax, não ajuda. São muitas viagens no tempo, realidades alternativas, resquícios de outras linhas na narrativas e uma Força de Aceleração cheia de regras e vontades, para se explicar e resolver em tão pouco tempo.

Além disso tem a repetição da jornada ser sobre a perda de Barry. Mãe, pai e agora a noiva, o protagonista não sabe lidar com a perda. Infelizmente mortes acontecem. Tudo bem que em séries de TV é mais raro, mas uma hora temos que superar ou procurar um terapeuta. Além disso outros personagens já perderam entes queridos na mesma série, e seu luto não se arrastou mais que o necessário.

Mas aí, tem a jornada da transformação de Caitlin (Danielle Panabaker) em Nevasca, e sua relação com Cisco (Carlos Valdes) e Draco Julian (Tom Felton, o Draco Malfoy de Harry Potter). O treinamento de Wally (Keiynan Lonsdale), para se tornar um herói. O Harrison Wells  da vez, a.k.a "HR" (Tom Cavanagh, se divertindo com as muitas versões de uma mesma pessoa) vindo da Terrra 19, e descobrindo formas não ortodoxas de ajudar. A evolução do romance entre Barry e Iris, e as preocupações de todos em manter segura esta família louca e disfuncional que formam. Em outras palavras é pelos personagens e suas relações, que o expectador fica.

Se nos primeiros anos The Flash surpreendeu ao não ter medo de ser leve e nerd. A terceira temporada acerta nas relações entre os personagens que aprendemos a amar nos anos anteriores. Isso nos faz relevar uma explicação complicada ou uma resolução apressada de vez em quando, até CGI ruim e maquiagem caricata.

Mais confusa, e melancólica que as temporadas anteriores - Barry tá sempre triste! Até os personagens assumem isso - a terceira temporada da série do velocista se safou graça à empatia que temos com seus personagens. Mas não passaram despercebidas, as repetições já cansativas e a trama rocambolesca. Por mais que eu adore viagens no tempo tenho que admitir: talvez seja a hora de deixar essa tarefa pra Legends e buscar um vilão que não seja um velocista para que o Flash finalmente possa ser o tal homem mais rápido da terra que ele insiste em se auto-intitular na abertura!

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Supergirl - 2ª temporada

O público comemorou quando a CW (canal de e TV estadunidense) adquiriu os direitos de Supergirl. Admito, estava entre eles. A série sobreviveria para uma segunda temporada, teria mais possibilidades de crossovers com Flash, Arrow e Legends, e talvez ganhasse um orçamento melhor para seu caricato departamento de maquiagem. Contudo, na empolgação, esquecemos de pensar no que a série poderia perder ou precisar adaptar com a mudança.

A perda mais gritante e incômoda é a no elenco. Calista Flockhart - que faz breve participações apenas -, não é a única a deixar o elenco, mas a curiosa relação tutora-aprendiz de sua Cat Grant com Kara, era um dos pontos fortes da primeira temporada. Sua saída não eliminou apenas uma relação interessante, mas também todo o "núcleo profissional" de Kara, exigindo dos roteiristas um esforço para remanejar personagens e por ordem na casa, o que nos leva à outras mudanças.

Kara (Melissa Benoist), Winn (Jeremy Jordan) e James (Mehcad Brooks), precisariam de novos chefes. Enquanto a mocinha resolveu ser jornalista e se mudou para a redação. O técnico de TI, foi incorporado no núcleo equipe do DOE, teve suas habilidades expandidas. Agora ele é hacker, especialista em aliens, faz trajes e tem uma personalidade que mistura as características de Felicity e Cisco (os nerds adorados em Arrow e Flash respectivamente).

Jimmy James Olsen foi o que mais sofreu com a mudança, seu romance sem química com a mocinha foi deixado de lado, e ele assumiu o cargo de Cat Grant que parece estar além das qualificações do fotógrafo e faz parte de um núcleo extinto. A solução foi apelar para um enfadonho arco próprio, transformando o personagem em um vigilante que estaria melhor posicionado na série do arqueiro.

Outra mudança é que agora a Terra é lar de refugiados de todas as partes do universo. Antes os único alienígenas eram os fugitivos da zona fantasma. A super-população repentina de aliens não é bem explicada, mas trouxe bons novos personagens, e consequentemente arcos para a trama, como M'gann (Sharon Leal) e Mon-El (Chris Wood) o novo interesse amoroso da protagonista.

E por falar em interesse amoroso, um grande acerto desta temporada está relacionada à romance. Alex (Chyler Leigh), irmã adotiva de Kara se descobre homossexual tardiamente e toda sua jornada de aceitação foi trabalhada de forma simples e orgânica. A moça tem dúvidas, medos e dilemas, mas não é feito um estardalhaço sobre isso, ela apenas enfrenta os desafios conforme aparecem. É apenas mais um romance entre os muitos na série.

O mistério sobre a família Danvers lançado na temporada anterior evolui pouco. Talvez para dar mais espaço para a entrada da família Luthor, mas sua persongem com mais espaço Lena (Katie McGrath), irmã adotiva de Lex, ainda não disse à que veio. Mas sua presença nos leva à outro porém desta temporada: a tranformação de Kara em uma "versão feminina" de Clark.

A super-moça de repente se descobre uma amante do jornalismo. Começa a ter uma relação com potencial para complicação com um Luthor. Até seu figurino muda para incluir mais terninhos. Até mesmo a postura da moça parece mais com as poses clássicas de seu primo.

E por falar no último filho de Kripton, ele finalmente da às caras em uma versão propositalmente mais leve. Tanto para se adequar à série, quanto para diferenciar do Superman do cinema a versão vivida por Tyler Hoechlin (Teen Wolf), agradou a maioria pela leveza. Para esta blogueira que voz escreve, no entanto, ele é leve demais, soa caricato e inexperiente. Especialmente quando esperamos que ele tenha mais experiencia no "heroísmo" que a prima. Até mesmo sua idade parece estar errada, ele é jovem demais - a diferença de idade entre Hoechlin e Benoist é de apenas um ano, devia ser uma década. Mas quem sou eu para ir contra a maioria... se agradou, fiquem com ele!


Entre erros e acertos, em um ano de mudanças e ajustes Supergirl se saiu bem. Entregou uma temporada mais dinâmica, com mais história e conflitos e em muitos fatores superior ao primeiro ano da série. Inclua aí um aumento considerável em recursos e as boas participações especias. Só faltou mesmo, melhorar o departamento de maquiagem. Os vilões continuam com visual caricato e de gosto duvidoso. Fica a dica do foco para o terceiro ano!

Leia as mais sobre Supergirl, mais sobre séries, ou continue na DC com Flash, Legends e Gotham.
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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Tudo e Todas as Coisas

Síndrome da Imunodeficiência Combinada é o nome da condição que impede Maddie (Amandla Stenberg,a Rue de Jogos Vorazes) de ter uma vida normal. Já que seu organismo é incapaz de combater infecções vírus e bactérias ela passou seus 18 anos de vida sem sair de sua casa, com pouquíssimo contato com outras pessoas, seu pai e irmão morreram há muito tempo. A garota passa seu tempo na internet, lê muitos livros, estuda, tem a companhia de uma enfermeira e ambientes confortáveis, pensados para da a sensação de estar do lado de fora. Mas não importa se sua gaiola é de ouro cravejada de diamantes, ainda é uma gaiola.

Mas Maddie estava confortável e conformada com sua situação, até que uma nova família se muda para casa ao lado. É claro, o interesse entre a protagonista e Olly (Nick Robinson, Jurassic World) é instantâneo. Fazendo a menina se questionar quanto à o que está perdendo, e quais destas coisas valeriam o risco de sair de sua gaiola esterilizada. Tudo e Todas as Coisas se encaixa no que parece ser o novo sub-gênero da moda: adaptações literárias juvenis com dilemas que abrangem a morte eminente, como Se eu ficar e Como eu era antes de você. E à exemplo deles, tenta tratar o dilema de forma leve, simples e até lúdica. Mas, talvez um pouco simples demais.

A simplicidade vai desde da escolha batida, mas sempre eficiente, do branco e tons pasteis que cercam à adolescente, em contraste com as cores do mundo lá fora e as roupas escuras do rapaz, ate o desenvolvimento da trama. O romance virtual é criativo ao trazer as mensagens de texto para simulações imaginárias de conversas nas maquetes que a menina cria, entre outros recursos visuais nenhum deles extremamente inovador. 

Já a jornada você já deve adivinhar: a mocinha corre riscos para viver esse romance, e luta contra o impedimento da mãe, seus próprios receios e até os de Olly, que não quer fazer mal à garota. Tudo em nome do viver bem a vida, buscar novas experiencias, aproveitar as oportunidades que encontra, etc. Uma boa mensagem, passada de forma eficiente no filme.

Entretanto ao focar apenas na simplicidade de uma única mensagem, o longa não segue seu próprio conselho. Perdendo a oportunidade de explorar outros temas, como a família complicada do mocinho, os medos de sua mãe e claro a própria mortalidade. Sabemos que Maddie compreende sua condição, mas não temos certeza de seu medo de morrer ou de ficar sozinha. A menina parece anestesiada em sua condição, até que se apaixona e começa a não se importar com a morte. O que teria mais impacto se tivéssemos noção do quando ela se importava antes. A sensação de que a narrativa podia ser mais pode ser incômoda para muitos.

Outra coisa incômoda para os mais atentos, são alguns detalhes que não condizem com a quantidade de cuidados que o filme afirma que alguém com Síndrome da Imunodeficiência Combinada precisa ter. Sua mãe e sua enfermeira por exemplo, passam por portas compartimentadas antes de entrar na casa, lavam as mãos, trocam os sapatos, mas interagem com a garota com as mesmas roupas que andaram na rua. Elas tocam na menina, respiram o mesmo ar, trariam bactérias da rua, não trariam.

Esses detalhes podem ser mera falta de pesquisa, tanto do filme quanto do livro homônimo de Nicola Yoon que o inspirou. Ou pistas para uma reviravolta que poderia diferenciar Tudo e Todas as Coisas dos filmes juvenis desta temática.

Cuidado a partir daqui o texto contém SPOILERS

AS falhas na criação do ambiente estéril poderiam ser um indicador dos segredos da mãe sobre a real condição de Maddie. Poderiam, mas não são. E assim como os outros temas que não envolvem o "Carpe Diem", é pouco explorado, o que neste caso é muito mais grave. As atitudes da mãe vivida por Anika Noni Rose(Dreamgirls, A Princesa e o Sapo), não é apenas criminoso, é cruel, irresponsável e donetio e afetará a vida da filha para sempre. Mas o filme é brando com sua punição, apelando para a desculpa deo excesso de zelo de uma mãe extremamente amorosa e muito traumatizada.

Ok, eu não estava esperando que a polícia aparecesse e a produção tivesse seu desfecho como um filme de tribunal. Mas, uma discussão mais consistente entre mãe e filha, ou mesmo uma reação mais expressiva daqueles que as cercam seriam bem vindas. Me pergunto se no livro, as coisas também são resolvidas desta forma.

Fim do trecho com SPOILERS

Apesar destes escorregões Tudo e Todas as Coisas é bem produzido. Cai no clichê de dar mais espaço para o romance que para os outros bons temas, mas ganha pontos com o elenco empenhado e carismático.  Tinha potencial para ser melhor? Sim, tinha. Mas se os adolescentes saírem da sala discutindo os pontos apenas apontados pelo longa, já fico satisfeita!

Tudo e Todas as Coisas (Everything, Everything)
2017 - EUA - 97min
Romance, Drama
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segunda-feira, 5 de junho de 2017

The Leftovers - 3ª temporada

Quando aprendi sobre o arrebatamento bíblico sempre me perguntei o que as "boas pessoas" escolhidas sentiam em relação àqueles que ficaram para trás. A pergunta voltou quando li A Última Batalha das Crônicas de Nárnia e os irmãos Pevensie não pareciam abalados por deixar Suzana para trás Aí vem The Leftovers e seu desfecho que coloca toda esta situação sob uma nova pespectiva. Mas é melhor parar por aqui, já que este spoiler seria grande.

Quando retornamos à Milagre, residência de nossos personagens desde a segunda temporada, já se passaram mais quatro anos desde os eventos na ponte. A "partida repentina" está prestes a completar sete anos, e ainda ninguém tem uma resposta para o evento que levou 2% da população mundial. As seitas nascidas do evento continuam a existir, evoluir, se modificar e multiplicar.

Mas não ficamos na cidade santuário por muito tempo, pois a série não perde tempo e encerra logo as jornadas dos personagens menores. Levou sete anos, mas a maioria está seguindo com a vida. O foco vai para as jornadas do chefe de polícia Kevin Garvey (Justin Theroux) e daquela que perdeu todos Nora Durst (Carrie Coon). Assim grande parte do elenco sai de cena, ainda nos primeiros episódios. Ficam apenas aqueles que podem ajudar a trama principal andar, alguns deles ganhando episódios próprios para encerrar seus arcos, que complementarão a a história do xerife e sua esposa.

O reverendo Matt Jamison (Christopher 'Doctor Who' Eccleston) está obcecado com uma nova crença absurda, mas tem suas motivações. John (Kevin Carrol) e seu filho Michael (Jovan Adepo) compartilham das crenças do pastor e de uma vida com Laurie (Amy Brenneman). A terapeuta passou a ser a figura materna da família depois que o casamento de John acabou. O casal, usa os conhecimentos de Laurie, para trazer paz às pessoas de uma forma não convencional. Já o pai de Kevin, Kevin Garvey, Sr. (Scott Glenn) está na Austrália se preparando para o grande evento que supostamente ocorrerá no sétimo aniversário do arrebatamento.


É na expectativa por essa data, e nos traumas ainda não cicatrizados do desaparecimento que residem as motivações dos personagens nesta temporada. Até que todos se encontrem de uma forma ou de outra do outro lado do mundo, na expectativa por algo grandioso que está por vir, na busca por resposta, ou simpesmente por paz.

E por falar em respostas, é nas muitas dúvidas criadas pela série e na forma como essas respostas seriam reveladas, ou não, que residiam os maiores temores dos fãs da série. Em grande parte por causa de seu criador Damon Lindelof (um dos responsáveis por Lost). Mas, enquanto na série da ilha muita gente ficou insatisfeita com o desfecho determinado, The Leftovers entrega sim um final forte e impactante, mas não definitivo. Você escolhe ou não acreditar nos personagens, e nas coisas que eles acreditam. Especialmente em Nora que é quem aborda a "partida repentina" diretamente, em um emocionante monólogo - excelente trabalho de Carrie Coon. - Garvei atende às aflições do "deixados para trás", suas perdas e medos pelo futuro incerto.

A "explicação de Nora" é uma resposta excelente e impactante, mas nem de longe é uma solução. E creio que esta nunca fora sua intenção. O monólogo traz um novo viés de discussão que dialoga com minhas dúvidas lá do parágrafo inicial deste texto. E esta possibilidade de cada um interpreta-la do seu jeito é maravilhosa.


Desde de seu início  The Leftovers nunca foi sobre os desaparecidos, ou uma busca por respostas sobre o evento que os levou. Sempre se tratou daqueles que ficaram para trás, as diversas reações que um evento desta magnitude traria, os traumas e as formas de se recuperar, ou não de tudo isso. Se tivesse mais audiência e, consequentemente, mais tempo não duvido que a série buscaria um desfecho mais detalhado para todos os personagens desta "nova sociedade"- eu queira um desfecho melhor para muitos deles. Mas a escolha por focar em Nora e Kevin e aqueles que o cercam é mais que acertada. 

Faltou apenas mencionar que a série faz tudo isso com uma linguagem poética e recheada de metáforas. Deixando muitos dos expectadores pensando sobre os episódios por dia, e fazendo os desavisados que passaram pela sala durante a transmissão se perguntarem que diabos está acontecendo na tela. Profunda, complexa, inteligente The Leftovers não segue caminhos fáceis para contar sua história. E provavelmente pagou por isso com a audiência, para aqueles que persistiram a recompensa é gratificante. Esta é uma das melhores séries que você vai ver, e provavelmente a mais "fora da casinha" de todas!

The Leftovers é uma produção da HBO, baseada no livro homônimo de Tom Perrota. Leia as primeiras impressões da série, e as críticas da primeira e da segunda temporadas. 
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