segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Informações úteis para sua maratona de The OA

The OA estreou na Netflix no período das festas de fim de ano, por isso muita gente só esta descobrindo a série agora. A crítica da primeira temporada já está disponível no blog há algumas semanas, mas nunca é tarde para algumas dicas para os não iniciados, e aqueles que querem se aprofundar um pouco mais.

Praire (Brit Marling) reaparece de forma inusitada após sete anos desaparecida. As circunstâncias sob seu desaparecimento, onde estava e como voltou estão longe de serem os maiores mistérios em torno na protagonista: a jovem era cega quando desapareceu, e agora enxerga perfeitamente.

1 - Não se sinta culpado por não saber exatamente do que se trata a série. Todo o trabalho de divulgação apostou no mistério.

2 - Seus amigos não te falaram muito sobre a série? Isso pode ter dois motivos. 1 - Eles não querem estragar sua experiência. 2 - Eles não tem muita certeza de como explicar a trama.

3 - Esta é a terceira colaboração entre os co-roteiristas Zal Batmanglij e Brit Marling. Os outros trabalhos foram O Sistema e A Seita Misteriosa. Enquantoo Britt também protagoniza a série, Zal dirige.

4 - Brad Pitt é um dos produtores executivos de The OA.

5 - Não tente descobrir qual caminho a série vai seguir. Toda vez que você achar que entendeu, na cena seguinte vai descobrir que estava errado. Ficar meio perdido na narrativa é parte da graça de acompanhar a série.

6 - Dil humanos, fé, ficção cientifica, multiverso, viagens interdimensionais, EQMs (Experiências de Quase Morte), são alguns dos temas que a série aborda. Em uma curiosa mistura de ficção-ciêntífica e elementos sobrenaturais.

7 - Sim, a série exige uma grande dose de suspensão de descrença em alguns momentos.

8 - Por outro lado, uma vez "pego" o espectador não consegue abandonar a trama, mesmo quando nada faz sentido, ou quando o ritmo varia.

9 - O ritmo varia bastante. Especialmente porque os episódios transitam entre o passado de Praire e suas atitudes no presente. Os momentos no passado são inevitavelmente mais interessantes.

10 - Oficialmente é um drama de uma hora, mas o episódio inicial tem 71 minutos, e o sexto 31. Olha aí a falta de ritmo se fazendo presente novamente.

11 - Aquele cara que você acha que conhece é Jason Isaacs o Lúcios Malfoy da franquia Harry Potter, sem vestes de bruxo e aquela bela peruca loira. Já os fãs de The Walking Dead vão reconhecer Scott Wilson, o Hershel.

12 - Os cinco movimentos apresentados ao longo da série foram criados pelo mesmo coreógrafo dos clipes da Sia (aqueles com a Maddie), logo... (Cuidado a cena abaixo pode conter SPOILERS)


13 - A trama é cheia de mistérios e reviravoltas. Também não sabemos se tudo que nos é contado é verdade. E o final deixa grandes pontas soltas propositalmente.

14 - É provável que quando a série chegue ao fim, você esteja confuso. Uma mistura de sentimentos que vão de - Ué já acabou? - Passando por - Não entendi? - Até a completa incapacidade de definir se gostou ou não da produção, mas com a certeza de que fez bom uso de seu tempo de maratona e que precisa de uma segunda temporada.
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Existem planos para uma segunda temporada de The OA, mas a série ainda não foi renovada pela Netflix. A primeira temporada tem 8 episódios, todos disponíveis na plataforma de streaming.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Desventuras em Série - 1ª temporada

Se você está lendo esta resenha é porque passou, ou pretende passar, oito preciosas horas da sua vida assistindo uma história triste. Uma série que não vai te trazer nenhum momento de alegria, nem mesmo alguns poucos segundos de final feliz. Ao menos uma coisa posso lhe garantir: não vou passar toda o texto abaixo imitando a narração depressiva de Lemony Snicket para a aventura dos Baudelaire. Até porque, apesar de se trata de um incontável número de Desventuras em Série, a nova produção da Netflix vai sim te trazer momentos de diversão.

E por falar na narração desencorajadora Snicket (Patrick Warburton), ela é apenas um dos vários elementos encantadores da produção. Pausando, interrompendo, participando da cena, narrando de um local completamente diferente, não falta criatividade para as interrupções do autor/narrador/personagem. Mas antes uma breve introdução para quem esteve preso por um mau tutor nos últimos anos, e não faz ideia do que trata a série.

Violet (Malina Weissman, a joven Kara em Supergirl), Klaus (Louis Hynes) e Sunny Baudelaire (Presley Smith), perdem os pais em um incêndio que destrói completamente a mansão em que viviam. Órfãos, são enviados de tutor à tutor conforme o primeiro deles o malvado, e mal ator, Conde Olaf (Neal Patrick Harris) elabora e executa esquemas para roubar sua fortuna. Inclua aí, a incapacidade dos adultos que os cercam de compreender e acreditar em coisas óbvias, e um grande mistério sobre a morte dos pais das crianças.

Baseada na série de livros de Daniel Handler (sob o pseudônimo de Lemony Snicket), a produção da Netflix dedica dois episódios para cada volume da aventura. Assim na primeira temporada acompanhamos as histórias de Um Mau Começo, A Sala dos Répteis, O Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral. É nesse tempo dedicado à cada história que está um dos pontos fortes da trama.

Há tempo de desenvolver cada nova desventura, e não é preciso cortar detalhes que os fãs dos livros tanto amam. Acerto que fica evidente na inevitável comparação com a versão para os cinemas estrelada por Jim Carrey em 2004. O filme é eficiente, mas precisou economizar e dar grandes voltas no roteiro para encaixar os três primeiros livros em apenas duas horas de projeção.

Já a direção de arte, acerta na variação entre uma quase monocromática paleta dessaturada e leve toques de cor (quase sempre em tons pastéis) para representar os breves momentos de esperança em meio a triste saga dos irmãos. Já os cenários e figurinos, situam a história quase em uma Terra alternativa, misturando características de diferentes épocas. Nunca sabemos com certeza, quando a história acontece.

Mas sabemos o que esperar das crianças. Weissman e Hynes abraçam seus papéis, e até a pequena Presley Smith funciona bem em cena. O escorregão fica por uma ou outra cena da bebê Sunny em CGI. Nada que comprometa, afinal não queremos ver um bebê de verdade brincando com uma cobra ou roendo coisas muito duras.

Aberturas exclusivas para cada livro, boas participações especiais (que não vou enumerar, pois caso você ainda não saiba, a surpresa é sempre melhor) o tom na medida entre o sombrio, lúdico e cartunesco. Tudo encaixadinho para tornar Desventuras em Série uma das melhores adaptações. Entretanto seu grande trunfo é também seu maior escorregão -  Neal Patrick Harris!

Calma, não precisa me xingar ainda. - Como a maioria dos expectadores, eu também acho que o ator é a escolha perfeita para o arqui-inimigo dos protagonistas, o Conde Olaf. A produção acertou em cheio na escolha e provavelmente se empolgou um pouco demais com isso. Harris não precisa "roubar a cena", pois estas são dadas à ele, antes mesmo que ele tente. E sim ele entrega um trabalho excelente, mas que perde a força diante da overdose do conde em cena.

Precisamos nos preocupar um pouco mais com os irmãos Baudelaire.  Mergulhar junto com o trio, em seus breves momentos de calmaria, causando maior impacto a cada nova aparição do vilão. Mas é difícil quando acompanhamos até o planejamento dos esquemas do vilão. Mencionei que Neal também canta a música da abertura? 

Ok. Admito, todos sabemos que é a série do Neal Patrick Harris. Assim como o filme era mais de Jim Carrey que das crianças. Mas seria muito melhor se o deixassem conquistar a série sozinho. Felizmente como mencionei acima Harris corresponde às expectativas. E os excessos podem, e serão encarados, não como um erro mas como um ajuste para as próximas temporadas. 

Bem produzida, divertida (apesar dos avisos do narrador/autor que dizem o contrário) e mais importante, para toda a família. Um dos poucos produtos da Netflix que serão apreciados independente da idade, e nichos. Conhecer os livros apenas tornará a experiência mais interessante, mas também não é exigência.  Desventuras em Série é uma das séries mais democráticas da plataforma de streaming

Desventuras em Série tem oito episódios de uma hora cada, todos já disponíveis na Netflix. Os produtores planejam gravar a segunda, e talvez terceira, temporada em breve para que as crianças não cresçam demais.

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood

Não quero isso! - Foi essa a reação imediata e inevitável que tive (e acredito que não sozinha), ao descobrir durante a última Comic Con Experience a existência de Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood. Reação comum e justificável quando anunciam alguma obra que de certa forma interfere em um clássico do cinema, o mesmo, simplesmente com um favorito de infância. No meu caso Os Saltimbancos Trabalhões de 1991, se encaixa nas duas categorias.

A escolha por um retorno à obra circense é, no entanto, é compreensível. É o filme de maior sucesso dos Trapalhões, logo é a escolha perfeita para celebrar o 50º filme de Renato Aragão. Seu objetivo maior é homenagear não apenas o Didi, e Dedé que também está em cena, mas todo o quarteto trazendo de volta seu campeão de bilheteria e grande expoente da cultura circense que o grupo de palhaços de cara limpa tinha como cerne.

Grande Circo Sumatra está com dificuldades desde que os animais foram proibidos no picadeiro. Sem opções o Barão (Roberto Guilherme, o Sargento Pincel) coloca Satã (Marcos Frota) como gerente e permite que ele ocupe o espaço com os estranhos eventos do prefeito da cidade (Nelson Freitas). Didi (Renato Aragão) e Karina (Letícia Colin) precisam criar um novo espetáculo que traga de volta o público e a essência do circo.

Some aí a namorada/comparsa do vilão, a Tigrana (Alinne Moraes), e o par romântico da mocinha Karina, Frank (Emílio Dantas) e todos os nomes conhecidos da versão de 1981 estão de volta. Mas as semelhanças param por aí. Não se trata de um remake, tão pouco uma continuação, Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood é mesmo uma grande homenagem, inspirada pelo filme original. Talvez por isso sua trama e conflitos sejam tão simples e despretensiosos.

O circo tem problemas, e os artistas estão fazendo um esforço para salvá-lo, é verdade. Entretanto quando chega o clímax e o confronto entre mocinhos e vilões, basta um rosnado (literalmente) para que a gangue do mal desista. As canções do longa original estão de volta, com novos arranjos e belos números, mas a maioria não se encaixa na trama. Estão lá apenas para você que cresceu ouvindo as reconheça. Mas e quem não tem essa bagagem?

Outra situação confusa é a opinião ambígua do filme sobre a presença de animais circenses. Vários personagens repetem que a decadência começou após a proibição da exploração dos animais de circo, ao mesmo tempo que afirmam que era o melhor para os bichinhos. - Ué, sempre discordaram do uso de animais no espetáculo, mas nunca fizeram nada?  

O filme novo tem animais sim, em CGI 
Soa como um constante pedido de desculpas aos animais, por um comportamento de outra época, que felizmente superamos. Vale lembrar, o primeiro filme tinha animais. Ao tempo a ausência dos bichos é a causa de toda a ruína com o circo. O que de certa forma desvaloriza todos os artistas com números que usam apenas humanos. Uma opinião acidental, reforçada quando a solução para atrair o público é encontrada. Os artistas fariam os mesmos números, porém vestidos de bichos.

Ok. Eu sei que é um resgate dos Saltimbancos originais, mais uma homenagem em meio à tantas. Mas, a mensagem saiu diferente da intenção original. Parece que faltou um pouco mais de dedicação ao roteiro como um todo. Para encaixar bem as canções e evitar a ambiguidade de opiniões. E encontrar funções melhores para alguns personagens. Os de Maria Clara Gueiros, Lívian Aragão e Rafael Vitti parecem estar lá apenas para replicar situações e números do filme original, não contribuem muito com a história.

Salvam-se aí o esforço de Alinne Moraes para abraçar uma versão mais caricata de sua vilã, infelizmente ela faz isso sozinha e acaba fora de tom. E, claro, a reunião de Didi e Dedé em cena. Agora com as piadas físicas limitadas (nada de piruetas), a dupla é responsável por grande parte da nostalgia que o filme evoca. Eles trazem de volta aquele humor inocente e até meio bobo para os padrões de hoje. Mas que deve encantar e matar a saudade para quem cresceu com eles.


Nostalgia deve atrair os mais velhos. Os bem pequenos vão se divertir com as piadas. Já os jovens serão difíceis de conquistar. Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood, vale pela homenagem. E também por ela, merecia um esforço e detalhismo maior. Estamos homenageando pilares do humor nacional, e um dos clássicos de nosso cinema, podia ser mais. Não chega aos pés do original, mas se apresentar o filme de 1981 e o quarteto à novas gerações me dou por satisfeita.

Ah! E não deixe de acompanhar a sequencia de créditos.

Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood
2017 - Brasil - 99min
Comédia
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

La La Land - Cantando Estações

É mais um dia de engarrafamento em Los Angeles. Nos carros, jovens em busca do sonho de Hollywood, anunciam em alto e bom som, durante um excepcional plano sequencia que este é um filme musical. Embora, a esta altura há de se imaginar que o título do longa, La La Land - Cantando Estações, já tenha dado a dica. Mas não é só isso que eles apontam, o número também deixa claro que a disputa é grande e o caminho árduo.

Tudo isso é estabelecido antes mesmo de conhecermos os protagonistas. Mia (Emma Stone) é mais uma aspirante à atriz em meio a dezenas de candidatas, que trabalha como barista em um estúdio de cinema enquanto sua carreira não decola. Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de Jazz preocupado com o purismo do ritmo que tem problemas para manter os empregos onde precisa tocar outros estilos.

É claro, a dupla vai "se esbarrar" aqui e ali, até ajustarem os ponteiros em um fofo número de dança em que usam "os mesmos sapatos*". Depois disso passam a se encontrar de propósito e com frequência, por assim dizer. Presos na mesma fase de busca pelos seus sonhos, um impulsiona o outro a seguir em frente. E tudo vai bem, até que seus caminhos comecem a se distanciar.
Se você achou minha descrição acima reveladora demais, calma! Não há como "levar um spoiler" de La La Land, pois este não é um filme de reviravoltas mirabolantes. É um filme sobre relacionamentos, sobre não desistir de seus sonhos e os caminhos traçados por suas escolhas. Tudo isso pontuado por boa música e uma atmosfera que homenageia de forma sutil, porém eficiente, a era de ouro dos musicais.

Não é um filme de época. Mas as cores da cidade, a fotografia, os figurinos, as músicas e até os carros, tem esse tom lúdico e doce de clássicos como Cantando na Chuva. Stone e Gosling não são Fred Astaire e Ginger Rogers, mas protagonizam belos números de dança onde ao invés de vários cortes estilo vídeoclipe, podemos acompanhar a fluidez dos passos, a interação com o cenário como se assistíssemos um espetáculo de dança ao vivo. A coreografia não é tão complexa como nos antigos musicais, mas é bonita e bem executada, eficiente para seu intérpretes não dançarinos, de personagens do século XXI.
A mesma simplicidade vale para as interpretações musicais. Alguns podem até lamentar que os protagonistas não seja grandes intérpretes, mas talvez suas vozes comuns sejam parte da empatia com o expectador e tornem os sentimentos das personagens mais verdadeiros. Há também o genuíno esforço para cantar e dançar da dupla, especialmente de Emma. O desafio maior de Gosling parece ser o piano.

Doce e melancólico a única grande reclamação é a sensação de tom decrescente através das musicas. Começando com um número gigantesco com dezenas de dançarinos e aos poucos se resumindo ao casal principal com números mais simples. Pode ser intencional é verdade - da empolgação dos primeiros passos, à tranquilidade de ter alcançado seus objetivos - mas para alguns pode soar como uma discrepância de ritmo. Ou no mínimo, que o numero de abertura parece deslocado. Nada que prejudique muito o objetivo geral do longa, no entanto.

Contar uma história simples e encantadora e homenagear os clássicos da era de ouro dos musicais. Tarefas que La La Land - Cantando Estações cumpre muito bem. Vai encantar os amantes do gênero e quem sabe reapresentar o estilo para novas gerações redescobrirem a época de sonhos de Hollywood.

La La Land - Cantando Estações (La La Land)
2016 - EUA - 128min
Musical


*"put yourself in someone's shoes" - literalmente "se colocar nos sapatos de outra pessoa", uma expressão em inglês que significa se colocar no lugar do próximo. No filme Mia, troca de sapatos em pleno número de dança reconhecendo que ela e Sebastian estão na mesma situação.
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sábado, 14 de janeiro de 2017

Oportunidades para autores de contos fantásticos!

Mal começou 2017 e as oportunidades já começam a aparecer para você futuro autor de best sellers! "Até 30 de abril de 2017, a Andross Editora estará recebendo contos fantásticos para publicação no livro PILARES ETERNOS”. 

"Pilares Eternos - Contos fantásticos”, deverá ser lançado em outubro de 2017 no evento Livros em PautaQualquer pessoa pode participar. Basta acessar o site www.andross.com.br, ler o regulamento de participação e submeter seu texto à avaliação. As inscrições vão até 30 de abril de 2017. 

Todos os autores que forem aprovados para publicação nessa coletânea automaticamente concorrerão ao STRIX, prêmio criado e concedido pela Andross Editora aos autores cujos textos mais se destacarem em suas coletâneas. O processo de votação encontra-se no site do prêmio.

SINOPSE DO LIVRO:
Toda a História foi construída em cima de mitos e lendas extraordinárias, capazes de entreter, ensinar e aterrorizar a humanidade. O insólito e o fantástico são os pilares que sustentarão eternamente a necessidade do homem de contar.
Prêmio STRIX

SERVIÇO: 
Livro: “Pilares Eternos - Contos fantásticos” 
Organização: Paola Giometti
Envio do texto: até 30/04/2017
Lançamento: Outubro de 2017 (no evento Livros Em Pauta
Regulamento: no site www.andross.com.br 
Realização: Andross Editora

Abaixo, segue uma entrevista da organizadora do livro sobre o processo de publicação.  Vale a pena assistir.
   
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Assassin's Creed

De vez em sempre, é bom relembrar: uma adaptação de um produto para uma nova mídia precisa funcionar sozinha. Independente do formato ou legião de fãs. Ou seja, para ser bem sucedido nos cinemas Assassin's Creed deve ser compreensível e gerar empatia mesmo para quem sequer sabe da existência do game da Ubisoft. Dito isto...

...Assassinos e Templários, empenhados em uma gerra secreta desde os tempos antigos, disputam a posse da “Maçã do Éden”. Artefato que segundo a crença contém "código genético do livre-arbítrio”. Nos tempos atuais, Callun Lynch (Fassbender) está no corredor da morte prestes a ser executado. Mas, ao invés de morrer, acorda em uma instituição cientifica com objetivos obscuros. Sem grandes explicações por parte de sua anfitriã, a cientista Sofia (Marion Cotillard, meio perdida), o protagonista é usado como cobaia de um experimento que através da memória genética é capaz de acessar a vida de seus ancestrais. Lynch é descendente de Aguilar de Nerha, membro da Ordem dos Assassinos e último a ter acesso à tal Maçã.

Sim, o nosso DNA é capaz de registrar tudo o que vivemos e transferir estas experiências para nossos descendentes. Mas não é só isso, ele registra tudo em uma espécie de linha do tempo que com ciência e tecnologia avançadas pode ser acessada no ponto em que deseja, revivida e exibida à terceiros em formas de projeções. Parece muito trabalho até para um código genético, não? Mas seria uma premissa aceitável, se o roteiro se esforçasse um pouco mais para torná-lo crível.

Ao invés disso, o longa seque a história confiante de que o expectador vai se apegar ao personagens (ou talvez ao seus intérpretes) e as longas cenas de ação.  O resultado e um universo aparentemente rico que nunca realmente conhecemos e uma boa premissa mal desenvolvida. Optando pelas curso mais óbvio e consequente as soluções mais óbvias para desenvolver sua trama. Ao ponto de já sabermos exatamente a função de muitos dos personagens apenas por sua primeira aparição na tela. Aquele vai ser o traidor, o outro entrou só para morrer, está está sendo enganada e não demora muito a descobrir...

A coisa fica melhor quando Lynch assume os passos de Aguilar e somos transportados para a Espanha do século XV. A disputa pelo artefato resulta em belas cenas de luta e parkour em uma atmosfera completamente diferente. O resultado é um conceito interessante enquanto a coreografia salta de uma luta cheia de dublês em um cenário rico, para Lynch reproduzindo a ação sozinho em uma engenhoca moderna, e de volta para as ruas espanholas. Infelizmente apesar de esteticamente incríveis, e frenéticas um olhar mais atento vai revelar alguns momentos sem sentido, ou que você não tem certeza do que exatamente aconteceu.


Outras questões também ficam no ar. E não estou me referindo daquelas destinadas a trazer uma

sequencia para a franquia em potencial, mas dúvidas ao decorrer da trama. Um excelente exemplo é a indecisão sobre a natureza da “Maçã do Éden”, que tem ares de metáfora, mas é um artefato real. É temido e disputado desde a idade média, mas contém o "código genético do livre arbítrio", conceitos que na época tanto, templários quanto assassinos eram incapazes de compreender. O plano e motivação para usar a relíquia também geram dúvida: vamos eliminar o livre arbítrio de toda a humanidade? E quem vai comandá-la?


É claro, uma visita ao google me explicou parte desses conceitos  que pertencem ao tal universo pouco explorado da franquia. Também verdade que nem tudo precisa ser explicado imediatamente, especialmente se a história promete crescer em sequencias, mas o mínimo pra a compreensão deve estar presente.

Novamente é hora de mencionar: uma adaptação de um produto para uma nova mídia precisa funcionar sozinha. Assassin's Creed exige um Salto de Fé* do expectador que, sem um guia, dificilmente vai conseguir mergulhar sozinho neste universo cheio de potencial.

Assassin's Creed (Assassin's Creed)
2016 - EUA - 115min
Ação/Fantasia/Aventura

*O Salto de Fé é outro dos conceitos do game, que no filme é jogado sem grandes explicações. E como seu resultado desafia a morte, resta ao expectador se perguntar como este foi possível.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O problema dos três corpos

O primeiro livro de língua não inglesa a receber o Prêmio Hugo*, pode parecer à primeira vista uma leitura complicada para os leitores do ocidente. Não por se tratar de uma obra de “Hard Science Fiction”, mas por vir do outro lado do mundo, e utilizar história e culturas de seu país de origem como base da narrativa.

Felizmente, essa dificuldade é reconhecida pela publicação, que além de notas de roda-pé do autor explicando conceitos científicos e detalhes da história e cultura Chinesas, traz também uma "Lista de Personagens". Esta reforça que nomes chineses são escritos com o sobrenome na frente , e traz identifica indivíduo importante para a história. Parece bobo, eu sei. Mas este detalhe de produção é fundamental para situar o expectador  que não deve perder a experiência dos Três Corpos por questões de diferenças culturais.

Com esse apoio e uma ou outra visitinha ao Google para compensar aquela aula de história esquecida. Somos apresentados à China em plena Revolução Cultural, quando a jovem astrofísica Ye Wenjie tem a vida destruída pelas forças de repressão do regime. Como ela vai seguir a diante e lidar com a sociedade em que vive, é o que vai moldar o caminho para a trama de Wang Miao. Vivendo nos dias atuais, o pesquisador de nanomateriais começa a presenciar fenômenos incomuns, quase sobrenaturais. Descobrindo que não é o único ele é levado a conhecer um jogo online chamado Três Corpos, que supostamente traria a explicação para as aberrações cientificas dos últimos tempos.

Some-se aí, um pouco de crítica social, discussões políticas, desesperança quanto à humanidade, projetos ultra-secretos, assassinatos, teorias de conspiração e complexos experimentos científicos situados no limiar da veracidade e absurdo. Este último elemento, devo admitir, não é a coisa mais fácil de compreender do romance de Cixin Liu. Ao menos para esta blogueira com conhecimento limitado de ciência que vos escreve. A explicação técnica minuciosa e rica em detalhes pode arrastar um pouco a leitura, mas tudo bem, pois no final das contas são os resultados e as escolhas dos personagens durante e após o processo que de verdade movem a trama.

Trama esta que possuí mais um elemento que ainda não mencionei. De fato, preferia não ter sabido deste detalhe antes de ler o livro, mas está na sinopse, então vamos lá - alienígenas. Sabendo da presença deles na trama, a curiosidade quanto aos estranhos fenômenos ao redor do mundo em relação ao leitor muda: ao invés de "o que está acontecendo", só esperamos os seres extraterrestres aparecerem para entender o que eles pretendem e como o estão fazendo.

Alternando entre as histórias de Ye Wenjie e Wang Miao. O livro nos mostra simultaneamente dois períodos históricos distintos e a inevitável conexão entre as tramas. Mas enquanto Wenjie literalmente uma refém do governo de seu tempo, tenta ser dona de suas escolhas e ações. Wang um homem supostamente livre dos tempos atuais, apenas reage aos problemas conforme lhes são apresentados. Ela move a história, ele é uma ferramenta para contá-la.

Tudo isso apresentado de forma intrigante ao ponto que, mesmo sabendo que aliens tem grande parte das respostas, é impossível para o leitor não tentar chegar à solução sozinho. Seja sobre os mistérios do passado de Weinje a conspiração no presente, ou o funcionamento e propósito do jogo. Há também tempo para transformar o enigma em um problema mundial, e introduzir elementos de outras culturas na narrativa. Geralmente estes últimos misturados de forma anárquica na narrativa do jogo online. Ampliando a trama para suas sequencias, o livro é o primeiro de uma trilogia.

O problema dos três corpos é uma ficção-cientificá excelente. Que já ganha pontos por exigir um pouco mais dos leitores ocidentais acostumados à estar sempre no centro das narrativas. Além de ter uma história complexa e envolvente. Agora é esperar pelos volumes restantes e torcer para que a aceitação da trilogia aqui, abra a s portas para mais histórias do outro lado do mundo.

O problema dos três corpos
Cixin Liu
Suma de Letras


*O Hugo é considerado um do principais prêmios de fantasia ou ficção científica. Entregue anualmente para os melhores trabalhos destes gêneros foi criado em 1953 e já estava em sua 62º edição quando finalmente premiou um livro de lingua não inglesa em 2015.
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domingo, 8 de janeiro de 2017

Trabalho Interno

Seja você certinho ou descolado, em algum momento da vida provavelmente já passou por isso. Embora o Trabalho Interno seja muito mais comum e intenso entre os "certinhos". Estou falando daquele conflito constante entre fazer o que você deve ou o que você deseja. Este é o dilema que guia o protagonista quadradão do curta que antecede Moana precisa encarar.

Quadradão mesmo, sua aparência reflete a rotina em que está preso, um cubículo trabalhando durante todo o dia. Assim como dezenas de colegas, repetindo roboticamente o mesmo trabalho. Impossível não lembrar de Tempos Modernos de Chaplin? Mas a discussão aqui é outra, diferente do Vagabundo, nosso protagonista tem opção, desde que aceite lidar com as possíveis terríveis consequências.

E o dilema é discutido literalmente internamente, em uma batalha entre Cérebro e Coração, que volta-e-meia acaba envolvendo um ou outro órgão na equação. Cada um não medindo esforços para levar os protagonistas pelo caminho que acha melhor. Tudo isso de forma bem exagerada e divertida claro.

Encontrar o equilíbrio entre os deveres e as vontades, em mundo cheio de regras, tentações e consequências. É sobre isso que fala o curta dirigido e escrito pelo brasileiro Leonardo Matsuda. Então, caso você ache que o mundo do protagonista quadradão parece com uma metrópole praiana (existe isso?!) brasileira, não foi impressão. Matsuda parece ter levado muita inspiração de casa para o estúdio do camundongo.

Então fica a dica, chegue na hora para as sessões de Moana, para não perder Trabalho Interno. Ah, e não saia antes do fim dos créditos também!

Trabalho Interno (Inner Workings)
2016 - EUA - 6min
Animação


Leia a crítica de Moana - Um Mar de Aventuras.
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Passageiros

A terra ficou pequena para a humanidade que neste futuro já coloniza outros planetas. A nave Starship Avalon está em uma viagem de colonização para Homestead II que levará 120 anos. Por isso, seus mais de cinco mil passageiros ficam em hibernação durante quase toda a viagem. Infelizmente uma falha acorda Jim Preston (Chris Pratt) e Aurora Dunn (Jenifer Lawrence) noventa anos antes do esperado. Sem ter como voltar ao estado de hibernação, fazer contato com a Terra o casal de desconhecidos terá de aprender conviver e aceitar, ou não, a ideia de que passarão a vida inteira viajando.

Síndrome do confinamento, isolamento da sociedade, as motivações que levaram esses personagens a sair da Terra, o sistema de classes ainda vigente na nave, os limites do que se pode ou não fazer em condições extremas, não faltam dilemas a serem abordados a partir do argumento de Passageiros. Duas pessoas presas com todas as condições para levar uma vida longa, mas isoladas para sempre da sociedade. Infelizmente a produção escolhe seguir o dilema mais simples possível: rapaz conhece moça.

Não que não seja possível fazer uma boa ficção cientifica com um romance como base para as relações humanas. Wall-E e Eve, estão aí para provar que nem precisa de humanos para o romance funcionar na ficção científica. Mas conhecemos a história e objetos dos robôs da Pixar. Já sobre Jim e Aurora, tudo que sabemos é que ele é engenheiro e ela escritora. Fica difícil criar empatia com o desconhecido.

Enquanto isso, a ficção-cientifica serve apenas como cenário para o romance se desenvolver. Se Jim e Aurora estão em um impasse, um problema na nave os obrigará a trabalhar juntos. Se o romance está indo bem demais, é claro que algo vai acontecer. Infelizmente o único grande tema que o filme arrisca: uma escolha errada de Jim em um momento de fraqueza, é justificada – no filme - pela síndrome de isolamento e perdoada por Aurora quando ela se percebe na eminência de estar na mesma posição que ele.

Servindo apenas como acessório, a parte cientifica soa implausível em muitos momentos, mesmo tendo clássicos como 2001: Uma odisseia no espaço como referência. Assim temos uma nave de ponta para cinco mil passageiros, mas que tem apenas uma enfermaria. Tudo é automatizado e à prova de falhas, e assim como os tripulantes e projetistas Titanic o computador central é incapaz de acreditar que uma erro no sistema possa ocorrer. Corrigi-lo então? Nem há um protocolo para isso, nos super prestativos sistemas touch-screen, que autorizam qualquer um à fazer uma cirurgia emergencial, mas não a soar um alarme de emergência.

De longe o personagem mais interessante do longa o robô barman Arthur (Michael Sheen) serve de grilo falante para os dois passageiros e até de alívio cômico. Preso em seu cenário que faz referência à um excelente filme de isolamento, O Iluminado, ele podia comandar a rebelião das máquinas, à exemplo de HAL 9000, mas não. Novamente ele é apenas um acessório, mais interessante que os protagonistas.

Passageiros tem um bom argumento, verba para produzi-lo e um elenco excelente para apresenta-lo, mas o roteiro prefere seguir o caminho menos interessante. Transformando a ficção-cientifica em romance água-com-açúcar com uma ou outra cena de ação espacial. E entregando um final agridoce meio sem graça para o expectador. Este vai ficar um tempo tentando decidir se gostou ou não do filme, até acabar descobrindo que gostou mesmo foi das muitas referências que ele traz.

Passageiros (Passengers)
2016 - EUA - 117min
Ficção-Cientifica
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